Resumo
- O Chow Chow é um cachorro chinês de porte médio, pelagem dupla volumosa e língua azul-escura, silencioso e muito territorial.
- De temperamento reservado e independente, é leal ao tutor, pouco tolerante a estranhos e exige socialização e treino consistente desde filhote.
- Precisa de escovação frequente, manejo do calor e acompanhamento veterinário para olhos e articulações, e não é indicado para tutores de primeira viagem.
Características
Ficha da raça
| Origem | China |
|---|---|
| Grupo | Grupo 5 - Spitz e tipos primitivos (FCI) |
| Tamanho | Médio |
| Altura | 46 a 56 cm na cernelha |
| Peso | 20 a 32 kg (fêmeas 20 a 27 kg; machos 25 a 32 kg) |
| Expectativa de vida | 9 a 12 anos |
| Pelagem | Dupla, densa e abundante; variedades pelo longo e pelo curto (smooth) |
| Cores | pretovermelhocremecanelaazulfulvo |
| Tipos ou variedades | Pelo longo e pelo curto |
| Escovação | 3 a 4 vezes por semana; diária na muda sazonal |
| Principais problemas de saúde | Displasia coxofemoral, displasia de cotovelo, entrópio/ectrópio, hipotireoidismo, estenose palpebral |
Perfil e comportamento
| Nível de afeto | Médio |
|---|---|
| Simpatia | Baixo |
| Adequado para crianças | Baixo |
| Aceita outros animais | Baixo |
| Necessidade de exercício | Baixo |
| Ludicidade | Baixo |
| Nível de energia | Baixo |
| Treinabilidade | Baixo |
De onde vem o Chow Chow e por que ele é tão diferente
O Chow Chow é uma das raças mais antigas do mundo, com registros na China há mais de 2.000 anos. Era chamado de Tang Quan (cão da dinastia Tang) e Hei Shi-Tou (leão de pedra negra), usado como cão de guarda de templos e palácios, tração leve e, historicamente, também para carne e pele.
O isolamento geográfico preservou características primitivas. Por isso ele mantém língua pigmentada de azul-escuro, pernas traseiras quase retas sem muita angulação e temperamento mais próximo de um Spitz primitivo do que de raças modernas selecionadas para obediência.
O ocidente conheceu o Chow no século XIX, quando exemplares foram levados à Inglaterra. A Rainha Vitória se encantou com a raça e ajudou a popularizá-la na Europa. O padrão atual é cuidado pela FCI (nº 205) no Grupo 5.
Como reconhecer um Chow Chow: tamanho e aparência inconfundível
É um cachorro médio, compacto e quadrado, com peito largo e cauda portada alta e enrolada sobre o dorso. Machos têm 48 a 56 cm e fêmeas 46 a 51 cm, com peso entre 20 e 32 kg. A impressão geral é de força e dignidade, não de agilidade.
A cabeça é larga, com focinho curto e largo, rugas discretas e orelhas pequenas, triangulares e inclinadas para frente. Os olhos são pequenos, amendoados e profundos, o que cria a famosa expressão carrancuda.
Dois detalhes entregam a raça na hora: a língua azul-escura a preta-azulada e a marcha curta e rígida das patas traseiras, quase sem flexão. Filhotes nascem com a língua rosada, que escurece até os 6 meses.
Pelagem e cores: o leão de língua azul
A pelagem é dupla: subpelo denso e lanoso e pelo externo mais áspero e afastado do corpo, formando juba ao redor do pescoço, sobretudo nos machos. Existem duas variedades: pelo longo, a mais conhecida, e pelo curto (smooth), mais rala e sem juba exuberante, porém com a mesma textura.
As cores sólidas aceitas são preto, vermelho, creme, canela, azul e fulvo, sempre uniformes, com sombreado mais claro na juba, cauda e culotes. Manchas brancas não são desejadas no padrão. O focinho pode ser mais escuro nas cores claras.
A troca de pelo é intensa. Há muda sazonal pesada uma a duas vezes ao ano, quando o subpelo cai em tufos. Fora da muda, a queda é moderada a alta e exige rotina.
| Variedade | Visual | Manutenção |
|---|---|---|
| Pelo longo | Juba volumosa, culotes e cauda muito peludos | Escovação 3 a 4x por semana; diária na muda |
| Pelo curto (smooth) | Pelagem densa mas curta, sem juba marcada | Escovação 1 a 2x por semana; também solta muito pelo |
Temperamento: reservado, leal e extremamente territorial
O Chow Chow não é um cachorro meloso. Ele escolhe uma ou duas pessoas como referência e é profundamente leal a elas, mas mantém distância de estranhos. Não costuma pular, lamber ou pedir colo.
É silencioso, observador e territorial. Late pouco, mas quando late é para alertar. Tem forte instinto de guarda e pode reagir com desconfiança a aproximações invasivas, principalmente se não foi socializado.
A raça é independente e teimosa, não por falta de inteligência, mas por excesso de autonomia. Aprende rápido o que lhe interessa, porém questiona comandos repetitivos. Pressão e bronca pioram a resposta; consistência calma funciona melhor.
Convivência com crianças, outros animais e estranhos
Com a família, é calmo e limpo dentro de casa, quase felino nos hábitos. Gosta de ficar por perto sem ser constantemente manuseado. Carinho em excesso e abraços apertados costumam irritá-lo.
Com crianças, a convivência exige regras claras. Não tolera puxões de pelo, gritos ou brincadeiras invasivas. Vai melhor com crianças mais velhas e respeitosas, sempre com supervisão. Não é o cachorro ideal para casa muito agitada.
Com outros animais, tende a ser dominante, sobretudo entre machos. Pode conviver bem se criado junto desde filhote, mas a socialização com cães fora de casa deve ser gradual. Com estranhos, é naturalmente desconfiado e precisa de apresentação controlada.
Cuidados essenciais: escovação, banho, calor e exercícios
A pelagem não pode ser negligenciada. Use rasqueadeira e pente de dentes longos, abrindo o pelo em mechas até a pele para evitar nós atrás das orelhas, axilas e culotes. Nunca tose a zero: o subpelo protege do frio e do calor.
- Banho: a cada 4 a 6 semanas, com secagem completa com soprador. Pelo úmido abafa a pele e favorece dermatites.
- Calor: sofre muito no verão brasileiro. Prefira passeios cedo ou à noite, ofereça água fresca, sombra e piso frio. Sinais de hipertermia exigem veterinário imediato.
- Exercício: 30 a 45 minutos diários bastam. Caminhadas moderadas e enriquecimento olfativo são melhores que corrida intensa.
- Higiene: limpe olhos e dobras faciais, verifique orelhas e mantenha unhas aparadas. A mordida e a articulação pedem atenção desde filhote.
Alimentação deve ser equilibrada para evitar sobrepeso, que sobrecarrega articulações. Divida em duas refeições e ajuste a quantidade com o veterinário conforme nível de atividade.
Saúde: o que realmente adoece o Chow Chow
É uma raça predisposta a problemas ortopédicos e oculares. Displasia coxofemoral e de cotovelo são frequentes e pioram com excesso de peso e exercícios de impacto em filhotes. Avaliação radiográfica e controle de crescimento são recomendados.
Nos olhos, entrópio (pálpebra virada para dentro) é clássico, causando irritação da córnea, lacrimejamento e úlceras se não corrigido. Catarata e glaucoma também aparecem com mais frequência que na média.
Outras condições relatadas são hipotireoidismo, estenose de narinas/pálato em alguns exemplares, dermatites e pênfigo foliáceo. A pigmentação da língua não é doença. Consultas anuais, exame oftálmico e controle de peso ajudam na prevenção. Nunca medique por conta própria.
Treino e socialização: por que não é raça para iniciante
O Chow Chow aprende por respeito, não por submissão. Treinos curtos, de 5 a 10 minutos, com reforço positivo e recompensas de alto valor funcionam melhor que repetição exaustiva. Ele desiste rápido se achar o exercício sem sentido.
A socialização precoce é obrigatória: entre 3 e 14 semanas, exponha o filhote com calma a pessoas, sons, superfícies e cães equilibrados. Continue na adolescência, quando a desconfiança natural se intensifica. Aulas com profissional que use métodos gentis ajudam muito.
Estabeleça limites desde cedo sobre manuseio, escovação, toque em patas e focinho e comando de soltar objetos. Evite brincadeiras de luta e não force contato. Um Chow bem socializado não vira um labrador sociável, mas se torna um adulto estável e previsível.
Vale a pena ter um Chow Chow? Para quem é indicado
Vale para quem busca um cachorro calmo, limpo, silencioso e muito leal, que não exige maratona diária nem festas com estranhos. É excelente para tutores que respeitam espaço, gostam de rotina e têm experiência com raças independentes.
Não é a melhor escolha para quem quer um cachorro extremamente obediente, que ame todo mundo ou que conviva sem supervisão com crianças pequenas e muitos cães. A pelagem, o manejo no calor e o temperamento exigem tempo, paciência e investimento em socialização.
Na nossa avaliação, o Chow Chow é um companheiro extraordinário para o tutor certo e frustrante para o tutor errado. Se você valoriza autonomia e vínculo seletivo mais do que agitação e obediência cega, ele pode ser perfeito. Se busca um cachorro para levar a todo lugar e ser acariciado por todos, escolha outra raça.
Perguntas frequentes
Chow Chow é bravo?
Não é bravo por natureza, mas é reservado, territorial e desconfiado com estranhos. Sem socialização precoce, pode desenvolver reatividade e guarda excessiva.
Chow Chow se dá bem com crianças?
Pode conviver com crianças respeitosas e mais velhas, com supervisão e regras claras. Não tolera puxões, gritos ou manuseio invasivo.
Chow Chow late muito?
Não. É uma das raças mais silenciosas, late pouco e geralmente apenas para alertar.
Por que a língua do Chow Chow é azul?
Por alta concentração de melanina na mucosa oral. Filhotes nascem com língua rosa, que escurece até cerca de 6 meses.
Chow Chow solta muito pelo?
Sim. Tem pelagem dupla densa com muda sazonal intensa e queda moderada o ano todo. Precisa de escovação frequente.
Chow Chow aguenta calor?
Sofre no calor por causa da pelagem densa. Precisa de ambiente fresco, sombra, água e passeios em horários amenos.
Chow Chow é fácil de adestrar?
É inteligente, mas independente e teimoso. Aprende bem com treinos curtos, consistentes e com reforço positivo, sem broncas.
Você sabia?
A língua azul tem explicação genética
A pigmentação vem do excesso de melanina na mucosa. Filhotes nascem com língua rosa e só entre 2 e 6 meses ela escurece para azul-escura ou preta-azulada, única entre raças junto ao Shar Pei.
Tem 44 dentes em vez de 42
O padrão da raça admite 44 dentes, com incisivos extras, diferente da maioria dos cachorros. A mordida correta é em tesoura, e a dentição cheia é valorizada em exposição.
Já foi cão de trenó e de guerra
Na China antiga, além de guarda de templos, foi usado para tração leve e como cão de caça a lobos e leopardos. Exploradores do século XIX o descreveram como cão de tração no norte do país.
Quase desapareceu no século XX
Após séculos de isolamento, a raça ficou rara na China com as mudanças políticas e a perseguição a cães. Foi preservada e refinada no Reino Unido, onde o Kennel Club reconheceu o Chow ainda em 1895.










