Resumo
- O Bichon Bolonhês é um cachorro pequeno italiano de pelagem branca longa em flocos, calmo e muito apegado ao tutor.
- Vive de 12 a 14 anos, solta pouco pelo, late pouco e se adapta bem a apartamento, mas não tolera ficar sozinho por longos períodos.
- Exige escovação a cada 1 ou 2 dias, higiene ocular e dentária frequente e tem predisposição a luxação de patela e problemas oculares.
Características
Ficha da raça
| Origem | Itália (Bolonha) |
|---|---|
| Grupo | Grupo 9 – Cães de Companhia (FCI) |
| Tamanho | Pequeno |
| Altura | 27 a 30 cm (machos) e 25 a 28 cm (fêmeas) |
| Peso | 2,5 a 4 kg |
| Expectativa de vida | 12 a 14 anos |
| Pelagem | Longa, macia, em flocos/madeixas, sem subpelo denso |
| Cores | branco |
| Escovação | Diária ou a cada 2 dias |
| Principais problemas de saúde | Luxação de patela, doença periodontal, catarata, atrofia progressiva da retina |
Perfil e comportamento
| Nível de afeto | Muito alto |
|---|---|
| Simpatia | Alto |
| Adequado para crianças | Médio |
| Aceita outros animais | Alto |
| Necessidade de exercício | Baixo |
| Ludicidade | Médio |
| Nível de energia | Baixo |
| Treinabilidade | Alto |
Origem nobre e uma raça que quase desapareceu
O Bichon Bolonhês pertence à família dos Bichons mediterrâneos, mesmo tronco do Maltês, do Bichon Frisé e do Havanês. O nome vem de Bolonha, no norte da Itália, onde era criado entre os séculos XI e XII como cão de colo da aristocracia.
Durante o Renascimento, foi retratado por artistas como Ticiano e citado pelo naturalista Ulisse Aldrovandi em 1598. Era presente diplomático: Cosimo de Médici chegou a enviar oito Bolonheses como presente à nobreza da Bélgica. Catarina, a Grande, da Rússia, e Madame de Pompadour também tiveram exemplares.
A raça entrou em declínio após a Primeira Guerra Mundial e quase foi extinta. Foi salva a partir da década de 1980 pelo criador italiano Gianfranco Giannelli, que reuniu os poucos exemplares restantes e reestruturou a criação. A FCI reconhece o padrão sob o nº 196, no Grupo 9.
Como reconhecer um Bichon Bolonhês de verdade
O Bolonhês é pequeno, compacto e quadrado, com corpo tão longo quanto alto. Machos têm de 27 a 30 cm e fêmeas de 25 a 28 cm, com peso entre 2,5 e 4 kg. A aparência é de um cachorro de pelúcia, mas sem o aspecto “pompom” do Bichon Frisé.
A cabeça é de tamanho médio, com focinho mais curto que o crânio e stop bem marcado. Os olhos são grandes, redondos e muito escuros, com pálpebras pretas bem pigmentadas. As orelhas são caídas, inseridas altas e cobertas por pelos longos.
A cauda é de inserção média, curvada sobre o dorso e também muito peluda. O conjunto transmite serenidade e elegância, sem exageros. Qualquer mancha de cor, nariz despigmentado ou tamanho acima de 30 cm é desclassificante no padrão oficial.
Bolonhês vs. Bichon Frisé vs. Maltês
| Característica | Bolonhês | Bichon Frisé | Maltês |
|---|---|---|---|
| Pelagem | Longa, em flocos, nunca tosada curta | Encaracolada, tosada em forma arredondada | Longa, lisa e sedosa, repartida ao meio |
| Cor | Apenas branco puro | Branco, pode ter bege claro em filhotes | Branco puro |
| Temperamento | Mais calmo e reservado | Mais extrovertido e palhaço | Mais vivaz e alerta |
Pelagem branca e textura em flocos: o que esperar
A pelagem é a marca registrada. É longa, macia e forma madeixas ou flocos por todo o corpo, mais curta no focinho. Diferente de muitas raças, não tem subpelo denso, o que explica a queda de pelos muito baixa.
A cor é sempre branco puro e uniforme, sem manchas amareladas ou acinzentadas. Filhotes já nascem brancos. O pelo não deve ser encaracolado como o do Frisé nem liso como o do Maltês.
Por ser longa e fina, embaraça com facilidade. Nós se formam principalmente atrás das orelhas, nas axilas e na barriga. Manchas amarronzadas por lágrima ácida aparecem com frequência se a higiene ocular não for diária.
Temperamento calmo e apego extremo ao tutor
O Bolonhês foi selecionado por séculos para companhia de colo. É dócil, silencioso dentro de casa e extremamente ligado ao tutor, a ponto de segui-lo de cômodo em cômodo. Não é um cachorro independente.
Com estranhos, tende a ser reservado no primeiro contato, mas sem agressividade. Observa antes de interagir. Com a família, é afetuoso, sensível ao tom de voz e prefere ficar perto a brincar sozinho.
Tem energia baixa a moderada. Gosta de passeios curtos e brincadeiras leves, mas não exige corrida ou agility. Aprende rápido com reforço positivo, embora possa ser um pouco teimoso se a abordagem for dura. Grita ou bronca trava o aprendizado.
- Ponto forte: adapta-se bem a rotina tranquila e a tutores mais caseiros.
- Ponto de atenção: desenvolve ansiedade de separação com facilidade se fica muitas horas sozinho. Late, chora e pode lamber as patas por estresse.
- Vocalização: late para alertar, mas não é latidor insistente como outros pequenos.
Cuidados diários: escovação, higiene e alimentação
A pelagem exige escovação a cada 1 ou 2 dias com escova de pinos e pente de metal, sempre com o pelo seco e levemente umedecido com fluido próprio. Banhos a cada 3 a 4 semanas, com secagem completa e escovação durante a secagem para manter os flocos soltos.
Olhos e focinho precisam de limpeza diária para evitar oxidação e dermatite. Dentes devem ser escovados de 3 a 4 vezes por semana, pois a raça tem alta predisposição a tártaro e doença periodontal. Orelhas caídas pedem inspeção semanal.
Na alimentação, o Bolonhês tem tendência a ganhar peso porque come bem e se exercita pouco. Prefira ração para raças pequenas ou mini, com porções controladas conforme peso e idade. Petiscos devem ser descontados da porção diária. Água fresca e potes na altura do peito ajudam cães muito pequenos.
Rotina de exercícios e treino
De 20 a 30 minutos de passeio por dia, divididos em duas saídas, já atendem a necessidade. Brincadeiras de farejar e brinquedos de roer são mais eficazes que esforço intenso.
No treino, sessões curtas de 5 minutos funcionam melhor. Ele responde muito bem a petisco, elogio calmo e consistência. Socialização precoce com sons, pessoas e outros cães evita timidez excessiva na fase adulta.
Saúde, longevidade e predisposições
É uma raça geralmente longeva, com expectativa de 12 a 14 anos. Quando bem cuidada, passa dos 13 com boa qualidade de vida. Consultas veterinárias semestrais e vacinas em dia são essenciais, como para qualquer cachorro.
As predisposições mais citadas em literatura veterinária e clubes cinófilos são:
- Luxação de patela, comum em raças toy, que causa claudicação intermitente.
- Doença periodontal e perda dentária precoce devido à arcada pequena.
- Problemas oculares como catarata e atrofia progressiva da retina (PRA).
- Sensibilidade ocular e lacrimejamento, que mancha o pelo claro.
Check-ups oftalmológicos anuais e avaliação ortopédica ajudam no diagnóstico precoce. Nunca medique ou suplemente por conta própria. Mantenha o calendário de vermifugação e controle de ectoparasitas rigoroso, pois a pelagem densa esconde pulgas e carrapatos.
Convivência com crianças, outros pets e vida em apartamento
O Bolonhês convive bem com outros cachorros e gatos quando socializado desde filhote. É gentil e raramente entra em conflito, preferindo se afastar a brigar. Com crianças, vai melhor com crianças maiores e calmas, que saibam respeitar um cachorro pequeno.
Por ter ossos delicados, não é ideal para casas com crianças muito pequenas que possam pegá-lo no colo sem supervisão. Quedas e brincadeiras bruscas podem causar fraturas ou luxações.
É um dos melhores Bichons para apartamento. Silencioso, limpo e de tamanho mini, adapta-se a espaços pequenos desde que tenha companhia humana. Não é cão para canil, quintal isolado ou para ficar sozinho o dia todo no trabalho.
Vale a pena ter um Bolonhês? Para quem ele é indicado
Na nossa avaliação, o Bolonhês brilha para quem busca um companheiro de presença constante, não um cão de guarda ou de esporte. Ele entrega afeto calmo, sem agitação excessiva, e se contenta em estar ao lado do tutor lendo, vendo TV ou trabalhando em home office.
Exige, em troca, tempo e constância. A pelagem não é “lavar e pronto” e a dependência emocional cobra preço: quem se ausenta 8 a 10 horas por dia terá um cachorro ansioso e infeliz. Se você valoriza independência canina, há escolhas melhores.
É uma raça rara no Brasil, com poucas ninhadas por ano e fila de espera em canis registrados no CBKC. Desconfie de anúncios com cores diferentes de branco ou com promessa de “mini” ainda menor que o padrão — isso foge do padrão e pode indicar seleção apenas por tamanho.
Curiosidades que pouca gente sabe
Além da aparência fofa, o Bolonhês carrega histórias pouco divulgadas. O naturalista Aldrovandi o descreveu como Canis Melitaeus no século XVI, confundindo-o com o Maltês por muito tempo. Só depois a cinofilia separou as duas raças.
Outra curiosidade é a textura: o padrão da FCI proíbe tosa curta à máquina. O pelo deve ser mantido longo e em flocos naturais. Tosar como Bichon Frisé descaracteriza a raça em exposição.
Perguntas frequentes
Bichon Bolonhês late muito?
Não. Ele late para alertar visitas ou barulhos, mas é considerado silencioso dentro de casa e late menos que a maioria dos cães pequenos.
Bichon Bolonhês solta pelo?
Quase não solta. Tem queda de pelos muito baixa, mas exige escovação frequente porque o pelo longo embaraça e forma nós.
Qual a diferença entre Bichon Bolonhês e Bichon Frisé?
O Bolonhês tem pelo longo em flocos, só na cor branca e temperamento mais calmo e reservado. O Frisé tem pelo encaracolado com tosa arredondada e é mais extrovertido.
Bichon Bolonhês se dá bem com crianças?
Sim, com crianças maiores e calmas. Não é indicado para crianças muito pequenas que possam machucá-lo sem querer por ser pequeno e delicado.
Pode ficar sozinho em casa?
Não por muitas horas. É muito apegado e pode desenvolver ansiedade de separação, com choro e lambedura excessiva.
Quanto tempo vive um Bichon Bolonhês?
Entre 12 e 14 anos em média, com bons cuidados veterinários, higiene dentária e controle de peso.
Bichon Bolonhês precisa de tosa?
Não deve ser tosado curto como o Frisé. O padrão pede pelo longo em flocos; faz-se apenas tosa higiênica e aparos leves para manter a forma.
Você sabia?
Presente de reis
Entre os séculos XVI e XVIII, filhotes de Bolonhês eram usados como presente diplomático entre cortes europeias. Os Médici criavam matilhas em Florença só para presentear nobres.
Quase extinto e salvo por um criador
Após as guerras mundiais a raça chegou a ter pouquíssimos exemplares registrados na Itália. O trabalho de Gianfranco Giannelli nos anos 1980, cruzando cães remanescentes, evitou o desaparecimento.
Branco é a única cor permitida
O padrão FCI aceita apenas branco puro, sem manchas. Qualquer tom de bege, caramelo ou cinza é considerado falta grave, o que o diferencia de outros Bichons que toleram nuances.
Pelo em flocos, não em cachos
Ao contrário do Bichon Frisé, o pelo não forma cachos fechados nem deve ser tosado redondo. Ele cai em madeixas longas e leves, que precisam ser mantidas soltas para não virar feltro.












