Áster: tipos, cores das flores, época de floração e como cultivar
Poucas flores lembram tanto um céu estrelado quanto o áster: capítulos em forma de margarida, com pétalas finas em azul, lilás, rosa, branco ou vermelho ao redor de um centro amarelo vivo. Quando a touceira abre de uma vez, o canteiro vira uma nuvem de cor que abelhas e borboletas descobrem em poucos dias.
O nome vem do grego astér, “estrela”, e a planta pertence à família Asteraceae, a mesma da margarida e do girassol. O porte vai de 30 cm nas anuais compactas a mais de 1 m nas perenes de canteiro, e as flores medem de 2,5 a 12 cm conforme a espécie.
A dúvida mais comum é que “áster” designa plantas diferentes: a anual de pacote de sementes (Callistephus chinensis) e as perenes do tipo michaelmas daisy (Symphyotrichum e Aster). Cada grupo tem calendário e manejo próprios, e misturar as instruções é o motivo mais frequente de canteiro sem flores.
Em poucas linhas, o que você precisa saber sobre o áster:
- O áster-da-china é anual e floresce cerca de 110 a 120 dias depois da semeadura; os perenes voltam todos os anos e abrem no fim do verão e no outono.
- As cores cobrem azul, lilás, rosa, branco, amarelo e vermelho, quase sempre com centro dourado nas flores simples.
- Todos pedem sol direto para florir bem e solo que escoe a água, porque o encharcamento é o maior inimigo.
- A doença mais temida nas anuais é a murcha por fusarium, que fica no solo: nunca repita o canteiro dois anos seguidos.
- Nos perenes, dividir a touceira a cada 3 a 5 anos mantém o vigor e rende mudas de graça.
- A flor atrai polinizadores justamente numa fase em que poucas plantas estão floridas.
🌿 Ficha de Áster (Aster spp. / Symphyotrichum spp.)
🌿 Identificação
- Nome popular
- Áster
- Nome científico
- Aster spp. / Symphyotrichum spp.
- Família botânica
- Asteraceae
- Origem
- Principalmente regiões temperadas do Hemisfério Norte
- Tipo de planta
- Herbácea anual ou perene de flores tipo margarida
- Porte
- 30 cm a mais de 1 m
🪴 Cultivo
- Luminosidade
- Sol pleno; meia-sombra leve em regiões quentes
- Rega
- Rega regular, sem encharcar
- Solo
- Solo fértil, rico em matéria orgânica e drenado
- Temperatura
- Varia conforme a espécie
- Cultivo em vaso
- Cultivares compactas em vasos
- Adubação
- Adubação equilibrada no crescimento
- Poda
- Retirar flores murchas
- Propagação
- Sementes ou divisão de touceiras
- Dificuldade de cultivo
- Fácil a moderada; observar fungos
🌸 Florada
- Época de floração
- Muitas perenes florescem do fim do verão ao outono
- Cores
- Azul, lilás, rosa, branco e roxo
- Uso ornamental
- Canteiros, bordaduras e jardins para polinizadores
⭐ Ideal para: Canteiros, bordaduras e jardins para polinizadores
Pode não ser ideal para: Sombra profunda e solo encharcado
Em resumo: Áster é o nome comum de várias plantas com flores semelhantes a margaridas. Porte e época variam por espécie; em geral, prefere solo drenado e boa luminosidade.
O que é o áster?

Áster é o nome popular de várias plantas da família Asteraceae com flores em forma de estrela. O gênero Aster chegou a reunir centenas de espécies, mas a botânica o dividiu em seis gêneros: Aster, Doellingeria, Eurybia, Ionactis, Oclemena e Symphyotrichum. A maior parte dos ásteres norte-americanos de jardim hoje pertence a este último, com mais de 90 espécies.
O áster que mais aparece em pacotes de sementes é outra planta: o áster-da-china (Callistephus chinensis), único representante do seu gênero. As primeiras sementes chegaram a Paris em 1728, enviadas por um padre jesuíta, e a partir delas surgiram as formas dobradas. Como foi classificado por muito tempo como Aster chinensis, o nome popular ficou.
Não confunda o áster com a margarida nem com a gazânia: são parentes na mesma família, mas de gêneros diferentes e com exigências próprias.
Quais são os tipos de áster mais cultivados?

Na prática, três grupos aparecem em viveiros e jardins. Eles diferem em ciclo de vida, altura e época de flor, então vale identificar qual deles você está comprando.
Áster-da-china (Callistephus chinensis)
É uma anual de 30 a 75 cm, com flores de 8 a 12 cm em formas simples, semidobradas, dobradas ou de pétalas enroladas. Cresce rápido a partir de sementes e serve tanto para canteiro quanto para corte. As séries Matsumoto e Bonita foram selecionadas para tolerar a murcha por fusarium.
Áster perene de outono (Symphyotrichum)
Forma touceiras de 60 a 150 cm e volta a brotar todos os anos. Há versões anãs, como a ‘Wood’s Blue’, de flores azul-arroxeadas, e espécies como o S. cordifolium, que aceita sombra se houver umidade. É o grupo mais sujeito a oídio e ferrugem.
Áster-italiano e ‘Mönch’ (Aster amellus e Aster × frikartii)
O Aster amellus é o clássico áster-italiano, resistente à seca. Seu cruzamento com o A. thomsonii gerou o ‘Mönch’, de 60 a 90 cm, flores lavanda-azuladas de 5 cm e uma das floradas mais longas do gênero. Como é estéril, não produz sementes e gasta toda a energia em flor.
Cores e formatos das flores do áster

A forma selvagem do áster-da-china tem flores simples, do branco ao azul-violeta, com centro amarelo. O melhoramento ampliou a paleta para rosa, amarelo, vermelho e tons suaves como o rosa-camurça da ‘Lady Coral Chamois’, de pétalas curvadas para dentro.
Quanto ao formato, as séries Tower lembram peônias e crisântemos, com camadas de pétalas e nenhum centro à vista. Já as perenes mantêm o desenho de margarida: ‘Alma Pötschke’ é conhecida pelo rosa intenso, o ‘Mönch’ pelo azul-lavanda e o S. ericoides ‘Snow Flurry’ por estrelinhas brancas em tapete.
Para harmonia, combine azuis e lilases com o centro dourado das flores simples; as dobradas pedem um fundo mais neutro, como folhagem verde ou flores brancas.
Quando o áster floresce?

No hemisfério norte, os ásteres perenes abrem do fim do verão ao outono: o áster-italiano a partir de agosto e o ‘Mönch’ de julho a outubro. O nome inglês michaelmas daisy lembra a festa de São Miguel, em 29 de setembro, quando muitas espécies estão no auge.
Transposto para o Brasil, isso significa floração por volta de fevereiro a abril nas perenes. Em climas mais quentes a flor antecipa de 2 a 4 semanas; em regiões frias, atrasa de 2 a 3.
O áster-da-china segue outra lógica: leva 110 a 120 dias da semente à flor. Semear em levas espaçadas de duas a três semanas estende a florada por vários meses.
Melhor época e forma de plantar o áster

Para o áster-da-china, semeie em bandejas 6 a 7 semanas antes do transplante ou direto no canteiro depois da última geada. A germinação leva de 10 a 20 dias a cerca de 21 °C. Cubra as sementes com uma camada fina de substrato e mantenha-o úmido.
Os perenes entram no jardim como mudas, de preferência no outono ou no início da primavera, quando a planta enraíza sem sofrer com calor forte. Deixe 40 a 60 cm entre touceiras de porte médio.
Antes de plantar, escolha um local onde o áster-da-china nunca esteve nos dois anos anteriores. Isso reduz o risco de fusarium no solo.
Luz e temperatura ideais

O áster floresce melhor em sol pleno, com pelo menos 6 horas de luz direta. A sombra leve é tolerada pelos perenes, mas a planta estica, floresce menos e fica mais sujeita a doenças de folha.
As perenes de Symphyotrichum suportam invernos duros, de zonas 3 a 8, então o frio brasileiro não preocupa. O áster-da-china, por ser anual de clima ameno, sofre com geadas e com calor extremo na fase de botão.
Em regiões de verão muito quente, ofereça sombra leve após as 15 horas e mantenha boa circulação de ar entre as plantas.
Solo e drenagem para o áster

Os perenes crescem em solo bem drenado e moderadamente fértil, de argiloso a arenoso, com pH ácido, neutro ou alcalino. Alguns, como o S. novae-angliae ‘Rosa Sieger’, preferem solo de neutro a alcalino. Já o áster-da-china rende mais em solo rico em matéria orgânica.
O que nenhum deles aceita é água parada. Em terra argilosa, misture areia grossa e composto, ou plante em canteiro elevado de 20 a 30 cm; a morte de touceiras costuma ocorrer por raiz encharcada, não por frio.
Uma cobertura de folhas secas ou casca de pinus ajuda a conservar a umidade e a controlar o mato.
Rega, adubação e rotina de cuidados

Mantenha o solo levemente úmido no primeiro mês, até a planta enraizar. Depois, regue quando os 3 a 4 cm superiores secarem, sempre na base, para a folhagem não ficar molhada. O áster-italiano e o ‘Mönch’ aguentam seca melhor do que encharcamento.
Na adubação, basta um adubo equilibrado de liberação lenta no plantio e um reforço leve a cada 4 a 6 semanas na fase de crescimento. Excesso de nitrogênio dá muita folha e pouca flor.
A tabela resume a rotina de cuidados:
| Necessidade | Como atender | Frequência |
|---|---|---|
| Luz | Sol direto, mínimo de 6 horas | Diária |
| Rega | Na base, quando o topo do solo secar 3 a 4 cm | 1 a 2 vezes por semana; mais em vaso no calor |
| Adubo | Equilibrado, leve, sem excesso de nitrogênio | No plantio e a cada 4 a 6 semanas |
| Cobertura do solo | Folhas secas ou casca de pinus em camada fina | No plantio e renovar a cada estação |
| Divisão da touceira | Separar brotos jovens e vigorosos e replantar | A cada 3 a 5 anos nos perenes |
Como cultivar áster em vaso

O áster dá certo em vaso se a variedade for compacta. Escolha as anãs do áster-da-china, que formam montes de cerca de 30 cm, ou perenes baixas como a ‘Wood’s Blue’. Use vaso de 25 a 30 cm de diâmetro, com furos e substrato leve misturado a areia.
Em vaso, o substrato seca rápido. Verifique com o dedo a cada dois dias no calor e regue quando os 3 cm de cima estiverem secos. O prato com água parada apodrece a raiz.
Coloque o vaso em local com sol direto pela manhã. A área interna não serve: sem luz forte a planta cresce fraca e quase não abre flores.
Poda, tutoramento e retirada de flores velhas

Nos perenes, corte as hastes rente ao solo quando a floração terminar e a folhagem secar. Isso limpa a touceira e estimula brotos novos para a estação seguinte.
Variedades altas de Symphyotrichum podem tombar com chuva e precisam de tutor ou de uma grade de bambu montada cedo. O ‘Mönch’ dispensa estaca, porque as hastes são firmes.
Tirar flores murchas prolonga a florada do áster-da-china. Pinçar as pontas das mudas jovens também ajuda: a planta ramifica mais e produz mais botões.
Como multiplicar o áster

A forma mais simples nos perenes é a divisão da touceira, feita na primavera. Separe os brotos jovens e vigorosos e descarte o centro lenhoso e envelhecido. O áster-italiano pede divisão a cada 4 ou 5 anos; o ‘Mönch’ pode ficar anos sem ser mexido.
Como o ‘Mönch’ é estéril, ele só se multiplica por divisão ou por estacas basais, retiradas de brotos novos na primavera. Não adianta esperar sementes dele.
O áster-da-china, por sua vez, se propaga somente por sementes. Colha as sementes de plantas saudáveis, mas lembre que variedades híbridas podem não repetir a cor da planta-mãe.
Doenças e pragas do áster

No áster-da-china, os dois problemas históricos são a murcha por fusarium, que vive no solo, e o amarelo-do-áster, levado por cigarrinhas. Nos perenes, o mais comum é o oídio, seguido de ferrugem.
A prevenção funciona melhor do que o tratamento: escolha séries resistentes, alterne o canteiro, deixe espaço entre plantas e use tela leve contra insetos nas anuais.
Veja os sinais mais comuns e como agir:
| Sinal | Causa | O que fazer |
|---|---|---|
| Murcha de um lado da planta, base escurecida | Fusarium no solo | Arrancar e descartar a planta; não replantar áster ali por 2 anos |
| Flores esverdeadas e deformadas, folhas amareladas | Amarelo-do-áster, transmitido por cigarrinhas | Remover a planta e proteger as vizinhas com tela contra insetos |
| Pó branco sobre as folhas | Oídio por ar parado e folhagem úmida | Aumentar o espaçamento, regar na base e retirar folhas afetadas |
| Pontinhos alaranjados no verso das folhas | Ferrugem | Remover folhas atingidas e evitar molhar a folhagem |
| Touceira apodrecendo na base após chuvas | Encharcamento do solo | Elevar o canteiro e misturar areia grossa ao solo |
Áster como flor de corte e no paisagismo

As altas do áster-da-china, como as séries Tower, rendem ótimas flores de corte e imitam peônias em arranjos. A água do vaso fica turva rápido por causa de bactérias: troque a água a cada dois dias e lave bem o vaso antes de reutilizar.
No jardim, o ‘Mönch’ funciona atrás de plantas que florescem cedo, para manter o canteiro vivo depois que elas passam. Já a ‘Wood’s Blue’, compacta, fica bem na borda de um canteiro ensolarado onde a terra se mantém úmida.
Os ásteres de fim de estação também alimentam polinizadores quando muitas outras flores já acabaram.
Perguntas frequentes sobre o áster
O áster e a margarida são a mesma planta?
Não. Ambos são da família Asteraceae e têm aspecto parecido, mas pertencem a gêneros diferentes. A margarida comum tem pétalas brancas e floresce na primavera; o áster abre mais tarde e traz uma paleta bem mais ampla.
O que o áster simboliza?
Na linguagem das flores, representa amor e paciência. Também é a flor tradicional das bodas de porcelana, os 20 anos de casamento.
O áster atrai abelhas e borboletas?
Sim. As flores simples, de centro aberto e rico em néctar, são especialmente visitadas. Variedades muito dobradas, como as de pétalas enroladas, oferecem menos acesso ao centro da flor.
Posso plantar áster no mesmo canteiro todos os anos?
Os perenes, sim, porque ficam no lugar. Para o áster-da-china, não: o fusarium se acumula no solo, então alterne o local por pelo menos dois anos. Séries tolerantes, como a Matsumoto, permitem repetir o canteiro em anos alternados.
Posso guardar sementes do áster para plantar no ano seguinte?
No áster-da-china, sim: deixe algumas flores secarem na planta e colha as sementes quando estiverem marrons. A cor pode variar em relação à matriz. O ‘Mönch’ não produz sementes e só se multiplica por divisão ou estacas.
O áster pode ser cultivado dentro de casa?
Não é a melhor opção. A planta precisa de sol direto por ao menos 6 horas para florir bem. Em ambiente interno, ela estica, enfraquece e quase não produz flores; prefira varanda ou janela com sol pleno.
Vale a pena cultivar esta planta?

Sim, principalmente para quem quer cor num período em que o jardim costuma ficar mais calmo. O áster-da-china dá flor rápido e serve para corte; os perenes voltam ano após ano e crescem em touceiras generosas.
O que decide o resultado é sol direto, solo que escoa a água e a escolha certa entre anual e perene. Com isso resolvido, o áster compensa o espaço no canteiro ou no vaso.