Resumo
- O pombo-olho-de-boi é uma pomba de 32 a 37 cm com anel orbital nu vermelho-alaranjado, peito rosado e dorso marrom-claro acinzentado.
- Vive no norte da América do Sul e, no Brasil, no litoral do Nordeste em caatinga, restinga e manguezal, formando bandos fora da época de cria.
- Faz ninho frágil de gravetos com apenas 1 ovo branco, alimenta-se de sementes e frutos e tem canto grave em sequência rítmica.
Características
Ficha da espécie
| Família | Columbidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Norte da América do Sul: Colômbia, Venezuela, Aruba, Curaçao, Bonaire e extremo nordeste do Brasil (CE, RN) |
| Habitat | Caatinga arbórea, mata seca, restinga, manguezal e áreas urbanas litorâneas |
| Tamanho (comprimento) | 32 a 37 cm |
| Envergadura | 52 a 60 cm |
| Peso | 250 a 320 g |
| Cores | marrom-clarocinza-azuladorosadobrancovermelho-alaranjado (anel orbital) |
| Expectativa de vida | 8 a 12 anos na natureza |
| Alimentação | Granívora e frugívora |
| Canto | Arrulho grave em série "rroo-coo-coo" |
| Reprodução (ninho e ovos) | Ninho frágil de gravetos; 1 ovo branco |
| Comportamento social | Gregário fora da reprodução; monogâmico na cria |
| Variedades ou subespécies | Monotípica, sem subespécies reconhecidas |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Alto |
|---|---|
| Intensidade do canto | Médio |
| Inteligência | Médio |
| Facilidade de criação | Muito baixo |
| Necessidade de espaço | Alto |
| Nível de atividade | Médio |
| Capacidade de imitar sons | Muito baixo |
Como reconhecer o pombo-olho-de-boi: tamanho, cores e o anel orbital
O pombo-olho-de-boi mede 32 a 37 cm e pesa 250 a 320 g, um pouco menor que o pombo-doméstico, mas com silhueta mais esguia e cauda relativamente longa. O que realmente o distingue não é o tamanho e sim a cabeça.
Ao redor do olho escuro há um anel de pele nua vermelho-alaranjado bem largo, que parece um olho maior — daí o nome olho-de-boi. A íris é clara, amarelada, o que aumenta o contraste. Nenhum outro Patagioenas do Brasil tem esse anel tão extenso e colorido.
A plumagem é discreta à distância, mas rica nos detalhes. Cabeça e peito são rosado-acanelados, nuca com brilho vináceo, dorso marrom-claro acinzentado e asas com bordas mais claras. Bico escuro com base avermelhada e pernas vermelho-arroxeadas completam o conjunto. Jovens são mais opacos, sem brilho na nuca e com anel orbital menor e pálido.
Onde vive: distribuição e habitat no Brasil
A espécie ocorre no norte da Colômbia e Venezuela e nas ilhas de Aruba, Curaçao e Bonaire, chegando ao Brasil de forma pontual. Aqui, os registros consistentes estão no litoral do Ceará e Rio Grande do Norte, com ocorrências mais esparsas no litoral do Maranhão e Piauí.
É ave de clima quente e seco. Prefere caatinga arbórea, matas secas, carnaubais, restingas e bordas de manguezal. Tolera bem áreas alteradas, como plantações de caju, coqueirais e periferias urbanas litorâneas, desde que haja árvores para pouso e frutificação.
Diferente de pombas florestais, evita mata fechada e úmida. É comum vê-lo pousado em galhos expostos ou em fios e postes ao amanhecer. Fora da reprodução forma bandos de 10 a 30 indivíduos, às vezes maiores perto de fontes de alimento.
O que come e como se alimenta
É essencialmente granívoro e frugívoro. A base são sementes de gramíneas e de leguminosas da caatinga, frutos de cactáceas, de juazeiro, de mangue e coquinhos de palmeiras. Broto e flores entram na dieta na estação seca, quando os frutos escasseiam.
Alimenta-se tanto no chão quanto na copa. No solo, caminha com passos curtos e rápidos, bicando sementes. Nas árvores, colhe frutos diretamente do ramo e engole inteiros, atuando como disseminador de sementes.
Em áreas litorâneas foi observado bebendo em poças salobras e forrageando em manguezais na maré baixa, comportamento incomum entre pombas do gênero. Visita comedouros improvisados e plantações, mas não depende de alimentação humana.
Comportamento e vida social
Fora da época de cria é claramente gregário. Os bandos mantêm contato vocal constante e voam de forma sincronizada, com batidas de asa fortes e voo direto, sem o zigue-zague de rolinhas pequenas.
Ao entardecer, reúne-se em árvores-dormitório, muitas vezes mangues e cajueiros altos. Pela manhã dispersa para se alimentar. É arisco com humanos, mas menos que outras pombas da caatinga, permitindo aproximação moderada em áreas urbanas.
Na defesa de território torna-se agressivo: machos perseguem intrusos em voo e dão golpes de asa no poleiro. Ainda assim, não é ave de briga prolongada; o conflito se resolve com exibição e canto.
Canto e vocalização: como identificar pelo som
O canto é a melhor pista para encontrá-lo. É um arrulho grave, rouco e rítmico, em sequência de três a cinco notas, algo como “rroo-coo-coo-coo”, com a primeira nota mais longa e as seguintes mais curtas.
O macho canta pousado no alto, estufando o peito e balançando a cabeça. A intensidade aumenta ao amanhecer e no fim da tarde, sobretudo no início da estação reprodutiva. Fêmeas também vocalizam, mas com frases mais curtas e suaves.
Além do canto territorial, emite um chamado de alarme áspero quando o bando levanta voo e um arrulho baixo de contato entre o casal no ninho. Não imita sons e não tem canto melodioso — a identificação é pelo ritmo grave e repetido.
Reprodução, ninho e filhotes
Forma casais monogâmicos durante a estação reprodutiva, que no Nordeste coincide com o período chuvoso e a maior oferta de frutos, geralmente entre fevereiro e agosto. A corte envolve arrulhos, reverências e voos curtos do macho ao redor da fêmea.
O ninho é surpreendentemente frágil: uma plataforma rala de gravetos secos, quase transparente, construída em forquilha de árvore ou arbusto denso, de 2 a 8 metros de altura. Às vezes reaproveita ninhos antigos.
A postura é de apenas 1 ovo branco, raramente 2 — traço incomum entre pombas brasileiras, que costumam pôr 2. A incubação dura cerca de 14 a 16 dias, com revezamento do casal. O filhote nasce coberto de penugem amarelada, é alimentado com leite de papo e deixa o ninho com 20 a 25 dias, já com o anel orbital começando a se formar.
É possível ter pombo-olho-de-boi em casa? Legalidade e cuidados
Não. O pombo-olho-de-boi é ave silvestre nativa protegida por lei. No Brasil, capturar, manter ou comercializar qualquer ave da fauna silvestre sem autorização do IBAMA e dos órgãos estaduais é crime ambiental (Lei 9.605/98).
Não existe criação comercial legalizada nem plantel autorizado para esta espécie como animal de estimação. Ela não é domesticada, exige voo amplo, dieta variada de frutos nativos e vida em bando, o que inviabiliza gaiola ou viveiro doméstico.
Quem deseja observar a espécie deve fazê-lo na natureza, com binóculo e sem alimentar ou perseguir. Para quem gosta de pombas em casa, as opções legais são espécies domésticas ou exóticas autorizadas, como pombo-doméstico e rolinha-diamante, sempre adquiridas com origem comprovada.
Estado de conservação e principais ameaças
Globalmente é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por ter distribuição ampla e população estável. No Brasil, porém, a situação é mais delicada pela distribuição restrita e fragmentada no Nordeste.
As principais pressões são desmatamento da caatinga e da restinga para agricultura, carcinicultura e expansão urbana litorânea, além da caça eventual e da captura oportunista. A perda de árvores frutíferas nativas reduz locais de nidificação e alimento na seca.
Na nossa avaliação, o pombo-olho-de-boi é um bom indicador de caatinga litorânea bem conservada. Onde ele ainda forma bandos ruidosos ao amanhecer, o ecossistema mantém frutos, sementes e árvores-dormitório — quando ele some, é sinal de que o habitat já foi muito simplificado.
Perguntas frequentes
Pombo-olho-de-boi é o mesmo que pomba-galega?
Não. A pomba-galega é Patagioenas cayennensis, sem anel orbital nu. O olho-de-boi é Patagioenas corensis, com anel vermelho largo ao redor do olho.
Onde encontrar pombo-olho-de-boi no Brasil?
Principalmente no litoral do Ceará e Rio Grande do Norte, em caatinga arbórea, restinga e manguezal, pousado em árvores expostas ou fios ao amanhecer.
Como é o canto do pombo-olho-de-boi?
Um arrulho grave e rítmico em série, tipo "rroo-coo-coo-coo", com a primeira nota mais longa, emitido do alto de árvores.
Quantos ovos o pombo-olho-de-boi põe?
Quase sempre apenas 1 ovo branco por ninho, em plataforma frágil de gravetos. Raramente 2.
Pode criar pombo-olho-de-boi em gaiola?
Não. É ave silvestre nativa protegida por lei; capturar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental.
O pombo-olho-de-boi está ameaçado de extinção?
Globalmente é Pouco Preocupante (LC) com população estável, mas no Brasil tem distribuição restrita e depende da conservação da caatinga litorânea.
Você sabia?
O nome vem do olho
O anel de pele nua ao redor do olho pode ter mais de 1 cm de largura e fica vermelho intenso na época de reprodução, parecendo um olho de boi visto de longe.
Põe um ovo só
Enquanto a maioria das pombas põe 2 ovos, o pombo-olho-de-boi quase sempre põe apenas 1 ovo branco por ninho, estratégia ligada a ambientes secos com alimento imprevisível.
Ave das ilhas ABC
É uma das poucas pombas continentais que também vive em ilhas oceânicas áridas como Aruba, Curaçao e Bonaire, onde é comum em áreas urbanas e portos.
Bebe água salobra
Em manguezais e restingas foi registrado bebendo em poças salobras e forrageando na maré baixa, tolerância rara entre pombas do interior.









