🦜 Aves e Pássaros

Cigarrinha-do-campo

Ammodramus humeralis

Atualizado em

11 a 13 cmTamanho
16 a 19 gPeso
3 a 5 anosExpectativa de vida
Fino e insetoideCanto
Campos e cerradoHabitat
Cigarrinha-do-campo pousada em arame no cerrado, vista lateral mostrando plumagem marrom estriada e mancha amarela na face

A cigarrinha-do-campo (Ammodramus humeralis) é um pássaro pequeno e extremamente discreto dos campos abertos da América do Sul. Com apenas cerca de 13 cm, plumagem marrom-estriada e um detalhe amarelo na face, ela passa despercebida no capim até soltar seu canto finíssimo, que mais parece o zumbido de um inseto.

Muito comum no Cerrado, Pampa e em pastagens de todo o Brasil, vive quase sempre no chão, onde se alimenta, se esconde e faz seu ninho em forma de taça. Não é ave de gaiola e sua captura na natureza é crime ambiental, mas é uma das melhores espécies para treinar o ouvido na observação de aves campestres.

Também conhecido como: Tico-tico-do-campo, Cigarrinha, Tico-tico-do-campo-comum, Grassland Sparrow (inglês), Gorrión de pastizal (espanhol)

Explore a wiki

Galeria de fotos de Cigarrinha-do-campo

Cigarrinha-do-campo pousada em arame no cerrado, vista lateral mostrando plumagem marrom estriada e mancha amarela na face
Cigarrinha-do-campo adulta em poleiro típico de campo aberto.
Close-up da cabeça da cigarrinha-do-campo mostrando bico cônico e mancha amarela característica
Detalhe da face com a mancha amarela supraloral, marca-chave da espécie.
Cigarrinha-do-campo em voo baixo sobre o capim com asas abertas
Voo curto e baixo, típico quando é espantada do chão.
Cigarrinha-do-campo cantando empoleirada no topo de arbusto baixo
Macho cantando ao amanhecer para defender território.
Ninho da cigarrinha-do-campo no solo sob touceira de capim com ovos brancos manchados
Ninho em forma de taça no solo, bem camuflado sob o capim.
Ninho da cigarrinha-do-campo no solo sob touceira de capim com ovos brancos manchados
Ninho em forma de taça no solo, bem camuflado sob o capim.
Cigarrinha-do-campo cantando empoleirada no topo de arbusto baixo
Macho cantando ao amanhecer para defender território.
Cigarrinha-do-campo cantando empoleirada no topo de arbusto baixo
Macho cantando ao amanhecer para defender território.

Perfil rápido de Cigarrinha-do-campo

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e com população estável globalmente.

População
Estável
Protegido por
Não ameaçada globalmente, mas protegida por lei contra captura no Brasil

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
3 a 5 anos; até 6 anos em áreas protegidas

Reprodução

Sistema
Monogâmico territorial na estação reprodutiva
Ninho
Taça rasa no solo, sob touceira de capim, com cobertura parcial
Ovos
2 a 4 ovos brancos com manchas marrons e cinzas
Incubação
12 a 14 dias, principalmente pela fêmea
Filhotes
Nidícolas; saem do ninho com 9 a 11 dias e seguem os pais por 2 semanas

Habitat

Ambientes

  • Campos naturais e campo sujo
  • Cerrado ralo e campo limpo
  • Pastagens nativas e cultivadas
  • Bordas de lavouras e beiras de estrada com capim

Biomas

  • Cerrado
  • Pampa
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas nativas

Outros alimentos

  • Pequenos insetos
  • Larvas e lagartas
  • Aranhas e cupins
  • Sementes de ervas campestres

Encontrado em 11 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Passerellidae
Gênero
Ammodramus
Espécie
Ammodramus humeralis

Resumo

  • A cigarrinha-do-campo é um pássaro campestre de 13 cm, com dorso marrom estriado e mancha amarela entre o bico e os olhos, que vive no chão de cerrados e pastagens.
  • Seu canto é extremamente fino e agudo, semelhante ao de uma cigarra, e é a forma mais fácil de detectá-la, já que ela se esconde bem no capim.
  • Faz ninho no solo, alimenta-se de sementes de gramíneas e pequenos insetos e é classificada como Pouco Preocupante, apesar da perda de campos nativos.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPasserellidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; do norte da Colômbia e Venezuela ao centro da Argentina
HabitatCampos naturais, cerrado ralo, pastagens e áreas agrícolas abertas
Tamanho (comprimento)11 a 13 cm
Envergadura18 a 21 cm
Peso16 a 19 g
Coresmarrombegecinzaamarelobranco
Expectativa de vida3 a 5 anos na natureza
AlimentaçãoGranívora e insetívora
CantoTrinado agudo e contínuo, tipo 'tssssss', semelhante a inseto
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em taça no solo; 2 a 4 ovos brancos com manchas marrons
Comportamento socialSolitária ou em casal; discreta e terrícola
Variedades ou subespécies3 a 4 subespécies reconhecidas

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoBaixo
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMédio
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a cigarrinha-do-campo: tamanho, cores e marcas inconfundíveis

A cigarrinha-do-campo é pequena, com 11 a 13 cm e 16 a 19 g, do tamanho de um tico-tico jovem. O corpo é compacto, com cauda curta, bico cônico e pernas rosadas, adaptadas para andar no chão.

O que realmente a identifica é a combinação de plumagem críptica com um detalhe de cor. O dorso é marrom com estrias pretas e beges, que a camufla no capim seco. O peito e a barriga são cinza-claro a bege sem estrias, e a face tem duas marcas-chave: sobrancelha cinza-clara e uma mancha amarela intensa entre o bico e o olho, chamada área supraloral.

Em voo curto e baixo, mostra um flash de penas externas da cauda mais claras. Jovens são mais estriados no peito e têm menos amarelo na face, o que confunde iniciantes com o tico-tico-do-campo-verdadeiro. A diferença é que a cigarrinha tem bico menor, canto totalmente distinto e não forma bandos grandes.

Onde vive e onde encontrar no Brasil

É uma das aves campestres mais amplamente distribuídas do país. Ocorre em praticamente todo o Brasil, exceto no interior mais denso da Amazônia, e segue por Colômbia, Venezuela, Guianas, Peru, Bolívia, Paraguai, Uruguai e norte da Argentina.

Seu habitat preferido é o campo aberto: cerrado ralo, campo sujo, campo limpo, pastagens nativas e até áreas agrícolas, beiras de estrada e aeroportos com gramíneas. Evita mata fechada e áreas urbanas densas. Precisa de capim de altura média a baixa, onde possa correr escondida.

É residente e não migratória na maior parte da distribuição, fazendo apenas deslocamentos locais conforme a oferta de sementes e a queima do capim. Em regiões de Cerrado e Pampa é fácil de encontrar pousada em mourões, arames ou no topo de arbustos baixos ao amanhecer.

O canto que parece de inseto: como identificar pelo som

O nome popular não engana. O canto é um trinado finíssimo, agudo e contínuo, do tipo “tssssssss- tsi-tsi”, tão semelhante ao de uma cigarra ou grilo que muitos observadores passam direto. É um dos cantos mais ventríloquos entre os pássaros brasileiros, difícil de localizar.

O macho canta empoleirado em um ponto exposto, geralmente no início da manhã e no fim da tarde. A função é territorial e de atração da fêmea. Diferente de canários e sabiás, o volume é baixo e de curta distância, audível a até 30 ou 40 metros em campo silencioso.

Para quem está começando na observação, a dica é aprender o canto antes da plumagem. Grave o som e compare com o do grilo-de-campo: a cigarrinha tem notas mais metálicas e um leve decréscimo no final. Ela também emite um chamado curto “tick” quando alarmada no chão.

O que a cigarrinha-do-campo come

A dieta é mista e muda com a estação. Na base estão sementes de gramíneas nativas, como capim-flexa, capim-barba-de-bode e braquiárias, coletadas diretamente no solo. No período reprodutivo, aumenta muito o consumo de proteína animal.

Nessa fase, captura pequenos insetos, larvas, aranhas e cupins, essenciais para alimentar os filhotes. Forrageia andando rápido entre as touceiras, com a cabeça baixa, bicando no chão como um camundongo. Raramente sobe em arbustos para se alimentar.

  • Principal: sementes de capins e ervas campestres
  • Complemento na seca: sementes caídas de plantas cultivadas em bordas de lavoura
  • Na reprodução: gafanhotos pequenos, besouros, lagartas e formigas

Essa dependência de sementes nativas explica por que ela sofre com a substituição do campo por monocultura intensiva e com o uso excessivo de herbicidas.

Comportamento discreto e vida no chão

É uma ave terrícola e extremamente arisca. Prefere correr entre o capim a voar. Quando se sente ameaçada, agacha-se e fica imóvel, confiando na camuflagem, e só levanta voo no último segundo, em voo baixo e ziguezagueante por poucos metros.

Vive solitária ou em casal durante a reprodução e, fora dela, em pequenos grupos familiares de 3 a 5 indivíduos. Não forma bandos grandes como o tico-tico. É territorial: o macho defende ativamente uma área de poucos hectares com canto e voos de exibição curtos.

Outro traço marcante é o banho de sol e de poeira. Ao meio-dia, é comum vê-la se espojando em clareiras de terra seca para controlar parasitas. À noite, dorme no chão, escondida sob touceiras.

Reprodução, ninho no solo e filhotes

A estação reprodutiva no Brasil central vai de outubro a fevereiro, coincidindo com as chuvas e a maior oferta de insetos. Em regiões mais ao sul, pode se estender até março.

O ninho é um dos mais bem escondidos do campo. É uma taça rasa feita de capim seco, raízes e fibras, forrada com material mais fino, construída diretamente no solo, sob uma touceira ou pequeno arbusto, às vezes com uma cobertura parcial de capim que forma um teto. Isso a protege de predadores e do sol forte.

A fêmea põe 2 a 4 ovos brancos com pintas e manchas marrons e cinzas, incubados por cerca de 12 a 14 dias principalmente por ela. Os filhotes nascem com penugem escassa, olhos fechados e são alimentados por ambos os pais com insetos. Saem do ninho com 9 a 11 dias, ainda incapazes de voar bem, e seguem os pais no capim por mais duas semanas.

Como diferenciar o ninho de outras aves campestres

Diferente do tico-tico, que faz ninho em arbustos, e da codorna, que faz depressão sem forro, a cigarrinha sempre forra bem o ninho e escolhe locais com capim de 30 a 50 cm. A proximidade com o solo a torna vulnerável a pisoteio de gado, fogo e roçadeiras.

É possível ter cigarrinha-do-campo em casa? Legalidade e cuidados

Não. A cigarrinha-do-campo é uma ave silvestre nativa e sua captura, transporte, criação ou venda sem autorização é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98. Não existe criação comercial legalizada como há para canário-da-terra ou periquito.

O IBAMA e os órgãos estaduais só autorizam a manutenção de fauna silvestre para criadores e mantenedores com registro, projeto técnico e anilhas, e a espécie não está entre as liberadas para iniciantes. Aves apreendidas do tráfico raramente se adaptam ao cativeiro e morrem por estresse.

Para quem gosta da espécie, a forma correta de conviver é observando e fotografando em campo, preservando áreas de campo nativo e denunciando a captura ilegal. Em cativeiro, ela não canta como na natureza, exige dieta muito específica de sementes nativas e insetos vivos e sofre com o confinamento por ser terrícola.

Estado de conservação e principais ameaças

Globalmente, a espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por ter distribuição muito ampla e população considerada estável. No entanto, localmente ela está em declínio onde o campo nativo desaparece.

As maiores pressões são a conversão de campos e cerrado em soja, eucalipto e pastagem exótica, o uso de fogo indiscriminado na época de nidificação e a urbanização de áreas campestres. Como nidifica no chão, perde muitos ninhos para máquinas agrícolas e pisoteio.

Por outro lado, adapta-se bem a pastagens extensivas bem manejadas e a áreas de pousio, o que tem garantido sua permanência em grande parte do Brasil. A manutenção de faixas de capim nativo sem roçada entre outubro e fevereiro é a medida mais eficaz para protegê-la em fazendas.

Subespécies e com quem pode ser confundida

São reconhecidas três a quatro subespécies, que variam sutilmente em tonalidade e tamanho conforme a região. No Brasil predomina Ammodramus humeralis humeralis, mais avermelhada, enquanto formas do norte da América do Sul são mais acinzentadas.

Espécie parecida Tamanho Traço distintivo
Cigarrinha-do-campo 11-13 cm Mancha amarela supraloral viva, peito liso sem estrias
Tico-tico-do-campo (Ammodramus aurifrons) 13 cm Rosto mais amarelado por completo, ocorre mais na Amazônia
Tico-tico (Zonotrichia capensis) 14-15 cm Topete listrado preto e branco, canta forte e melodioso

Na nossa avaliação, a cigarrinha-do-campo é o melhor termômetro de campo saudável: se ela sumiu, o capim nativo já foi descaracterizado. Vale mais como indicadora ambiental do que como ave de gaiola, e seu valor está justamente em ouvi-la livre no amanhecer do cerrado.

Perguntas frequentes

Cigarrinha-do-campo é a mesma coisa que tico-tico?

Não. São espécies diferentes. A cigarrinha (Ammodramus humeralis) é menor, tem peito liso sem estrias e canto fino como inseto, enquanto o tico-tico (Zonotrichia capensis) tem topete listrado e canto melodioso forte.

Onde encontrar cigarrinha-do-campo?

Em campos abertos, cerrado ralo, pastagens e beiras de estrada com capim em quase todo o Brasil. Procure ao amanhecer por um pássaro pequeno cantando no topo de um mourão ou arame.

O que a cigarrinha-do-campo come?

Principalmente sementes de gramíneas nativas e, na época de filhotes, pequenos insetos como gafanhotos, besouros e larvas coletados no chão.

Pode criar cigarrinha-do-campo em gaiola?

Não. É ave silvestre nativa e sua captura e criação sem autorização do IBAMA é crime ambiental. Não há criação comercial legalizada da espécie.

Como é o ninho da cigarrinha-do-campo?

É uma taça rasa feita de capim seco no chão, escondida sob uma touceira, às vezes com um teto de folhas. A fêmea põe de 2 a 4 ovos brancos com manchas marrons.

A cigarrinha-do-campo está ameaçada de extinção?

Não globalmente. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas sofre localmente com a destruição de campos nativos, fogo e agricultura intensiva.

Você sabia?

1

Canto ventríloquo

O canto tão fino e agudo da cigarrinha parece vir de outro lugar, o que confunde até observadores experientes. É uma estratégia para que predadores não localizem o macho cantando exposto.

2

Ninho com teto

Diferente da maioria dos pássaros campestres, ela costuma puxar folhas de capim sobre o ninho, criando uma pequena cobertura que esconde os ovos do sol e de gaviões.

3

Amarelo que não desbota

A mancha amarela entre o bico e o olho é formada por carotenoides da dieta e é mais viva em machos bem alimentados, funcionando como sinal de saúde na escolha da parceira.

4

Corre em vez de voar

Quando alarmada, prefere correr como um rato entre as touceiras a voar. Só levanta voo se o observador chegar a menos de 2 metros, o que explica por que é tão difícil de ver.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ammodramus humeralis
  2. WikiAves - Cigarrinha-do-campo
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Cigarrinha-do-campo

Prós

  • Muito adaptável a campos e pastagens bem manejadas
  • Canto útil como indicador de campo nativo saudável
  • Fácil de observar com ouvido treinado, mesmo sendo críptica
  • Baixo conflito com humanos; não ataca lavouras
  • Ampla distribuição, presente em quase todo o Brasil

Contras

  • Extremamente vulnerável por nidificar no solo
  • Canto baixo e ventríloquo dificulta a detecção
  • Não se adapta ao cativeiro e morre com captura ilegal
  • Dependente de sementes nativas, sofre com herbicidas
  • Perde habitat rapidamente com conversão do cerrado em monocultura
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cigarrinha-do-campo é subestimada justamente por ser discreta: não tem cores exuberantes nem canto alto, mas é uma das melhores portas de entrada para a observação de aves campestres. Protegê-la significa proteger o campo nativo, um dos ambientes mais ameaçados e menos valorizados do Brasil.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.