🐟 Peixes

Peixe-grama

Gramma brasiliensis

Atualizado em

6 a 6,6 cmTamanho
Salgada marinhaTipo de água
5 a 6 anosExpectativa de vida
Territorial e reservadoTemperamento
ModeradaDificuldade
Peixe-grama brasileiro de lado mostrando coloração roxa e amarela

O peixe-grama brasileiro (Gramma brasiliensis) é um peixe marinho pequeno e de cor inconfundível: metade da frente roxa e metade de trás amarela. Endêmico da costa brasileira, vive em tocas de recifes rochosos e de coral, onde nada muitas vezes de dorso para baixo.

Apesar da aparência chamativa, é um peixe reservado e territorialista, que passa boa parte do tempo escondido e defende sua toca com vigor de outros peixes-grama. Em aquário de recife bem montado é resistente, longevo e muito apreciado, mas exige água marinha estável e alimentação carnívora variada.

Também conhecido como: Peixe-grama brasileiro, Gramma brasileiro, Brazilian gramma, Royal gramma brasileiro

Faz parte de: Peixes de Água Salgada, Peixes para Aquário

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Galeria de fotos de Peixe-grama

Peixe-grama brasileiro de lado mostrando coloração roxa e amarela
Peixe-grama brasileiro adulto com padrão bicolor característico.
Dois peixes-grama brasileiros próximos a fenda de recife
Dois exemplares disputam território; recomenda-se apenas um por aquário.
Peixe-grama brasileiro se alimentando de mysis na coluna d'água
Alimentação zooplanctívora na coluna d'água perto da toca.
Peixe-grama brasileiro nadando de dorso para baixo sob rocha
Comportamento típico de nadar com a barriga voltada para o teto da caverna.
Dois peixes-grama brasileiros próximos a fenda de recife
Dois exemplares disputam território; recomenda-se apenas um por aquário.
Peixe-grama brasileiro se alimentando de mysis na coluna d'água
Alimentação zooplanctívora na coluna d'água perto da toca.
Peixe-grama brasileiro nadando de dorso para baixo sob rocha
Comportamento típico de nadar com a barriga voltada para o teto da caverna.
Dois peixes-grama brasileiros próximos a fenda de recife
Dois exemplares disputam território; recomenda-se apenas um por aquário.
Ideal para

Ideal para aquaristas que já mantêm aquário marinho estável e buscam um peixe pequeno, colorido e de comportamento interessante para aquário de recife. Funciona bem para quem tem de 80 a 150 litros com muitas rochas e quer um morador que ocupe tocas sem incomodar corais e invertebrados.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para aquários comunitários pequenos com outro peixe-grama ou para iniciantes que ainda não controlam salinidade e ciclagem marinha. Também não é indicado para quem quer um peixe que nade o tempo todo em cardume no meio do aquário, pois ele passa boa parte do dia escondido.

Como cuidar

Aquário
80 a 100 litros mínimo, com muitas rochas vivas e tocas escuras e tampa anti-fuga
Água
Temp. 24-27 °C, pH 8,1-8,4, salinidade 1,023-1,025, amônia e nitrito zero
Alimentação
Mysis, artêmia, cyclops e ração premium marinha 2x ao dia em pequenas porções
Convivência
Mantenha apenas um por aquário, introduza por último e evite outros Gramma
Manutenção
Trocas semanais de 10-15% e quarentena antes de introduzir

Perfil rápido de Peixe-grama

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie endêmica do Brasil com populações estáveis em recifes costeiros.

População
Estável
Protegido por
Não, mas coleta é regulada por órgãos ambientais

Vida útil

Na natureza
5 a 6 anos
Em aquário
5 a 6 anos com água estável e alimentação variada

Reprodução

Tipo
Ovípara com desova adesiva em toca
Cuidado parental
Macho cuida e ventila os ovos por 7 a 10 dias
Fecundidade
80 a 200 ovos por desova
Dificuldade em cativeiro
Alta para larvas pelágicas

Habitat

Ambientes

  • Recifes rochosos
  • Recifes de coral
  • Lajes e costões submersos
  • Fendas e cavernas entre 3 e 30 m

Biomas

  • Marinho costeiro
  • Recife tropical do Atlântico Sudoeste

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Microcrustáceos
  • Zooplâncton
  • Copépodes

Outros alimentos

  • Mysis
  • Artêmia
  • Ovos de crustáceos
  • Ração marinha premium

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Como animal de estimação

Adequação
Boa para aquário marinho de recife, não para água doce
Legalidade no Brasil
Permitida, prefira exemplares de criação certificada
Nível de cuidado
Moderado, exige estabilidade marinha
Aquisição
Disponível em lojas de aquarismo marinho, valor varia por origem

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Perciformes
Família
Grammatidae
Gênero
Gramma
Espécie
Gramma brasiliensis

Resumo

  • O peixe-grama brasileiro (Gramma brasiliensis) é um peixe marinho endêmico do Brasil com coloração bicolor roxa e amarela e tamanho de até 6,6 cm.
  • Vive em tocas de recifes rochosos entre 3 e 30 metros de profundidade e tem comportamento territorial, pacífico com outras espécies mas agressivo com coespecíficos.
  • Em aquário precisa de no mínimo 80 a 100 litros, muitas rochas com esconderijos, água estável e dieta à base de microcrustáceos como mysis e artêmia.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoGramma brasiliensis
FamíliaGrammatidae
OrigemCosta do Brasil (endêmico)
Tipo de águaSalgada marinha
Tamanho adulto6 a 6,6 cm
Coresroxovioletaamarelolaranja
Expectativa de vida5 a 6 anos
AlimentaçãoCarnívora (zooplanctívora)
ReproduçãoOvípara com cuidado parental do macho
Tamanho mínimo de aquário80 a 100 litros

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMédio
AgressividadeMédio
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosAlto

Como identificar o peixe-grama: roxo e amarelo inconfundíveis

O peixe-grama brasileiro é bicolor e sem meio-termo: a metade anterior do corpo, cabeça e nadadeiras peitorais são roxo-violeta intenso, e a metade posterior, incluindo cauda, é amarelo-ouro vivo. A transição de cor acontece quase na vertical, na altura do meio do corpo.

Tem corpo alongado e comprimido, olhos grandes e boca pequena voltada para cima, adaptada para capturar zooplâncton. A nadadeira dorsal é contínua e a mancha preta na nadadeira dorsal anterior, comum em outras espécies, não existe aqui.

Não há dimorfismo sexual evidente a olho nu. Machos e fêmeas têm as mesmas cores e tamanho, o que dificulta a sexagem fora do período reprodutivo. Filhotes já nascem com o padrão bicolor, porém mais pálido.

Onde vive na natureza: um endêmico que demorou a ser descoberto

O Gramma brasiliensis é endêmico do Brasil e ocorre do Maranhão ao sul de São Paulo, incluindo ilhas oceânicas como Abrolhos e Trindade. É um dos poucos peixes de recife exclusivos da costa brasileira.

Vive em recifes rochosos, costões, lajes e recifes de coral entre 3 e 30 metros de profundidade, sempre associado a fendas, buracos e pequenas cavernas. Cada indivíduo ocupa uma toca e raramente se afasta mais de um metro dela.

Curiosamente, apesar da cor chamativa, a espécie só foi descrita cientificamente em 1988 por Sazima, Gasparini e Moura. Antes era confundida com o peixe-grama do Caribe (Gramma loreto), mas estudos mostraram que a população brasileira é distinta e isolada há milhões de anos.

Comportamento e convivência: tímido com os outros, valente na toca

Na natureza e no aquário, o peixe-grama é reservado e territorialista. Passa o dia entrando e saindo da toca, observando o entorno e dando botes rápidos para capturar alimento na coluna d’água.

Um comportamento marcante é nadar de dorso para baixo ou na vertical dentro de cavernas e sob rochas. Isso acontece porque ele vive no teto das tocas e se orienta pelo substrato mais próximo, não pela superfície.

Com outras espécies é pacífico e pode conviver com peixes-palhaço, gobies, blênios e camarões. Com outro peixe-grama, porém, a briga é certa: dois machos ou mesmo um casal em aquário pequeno disputam tocas até a morte. Por isso, mantenha apenas um exemplar por aquário, exceto em aquários acima de 250 litros com muitas tocas.

Compatibilidade

  • Bons companheiros: peixes pequenos e calmos de recife, camarões bailarinos e ermitões.
  • Evite: outro Gramma, peixes muito agressivos ou muito maiores, e predadores que caibam na boca.
  • Ordem de introdução: coloque o peixe-grama por último, para que não reivindique o aquário inteiro como território.

Aquário ideal: tocas são mais importantes que tamanho

O peixe-grama não precisa de aquário gigante, mas precisa de estrutura. O mínimo recomendado é de 80 a 100 litros para um único exemplar, com bastante rocha viva formando cavernas, fendas e passagens onde ele possa se esconder completamente.

Parâmetros estáveis são inegociáveis por ser um peixe marinho. Mantenha temperatura entre 24 e 27 °C, pH 8,1 a 8,4, salinidade 1,023 a 1,025 e amônia e nitrito sempre zerados. Nitratos abaixo de 20 ppm. Filtragem biológica eficiente, circulação moderada e tampa são essenciais, pois é um saltador habilidoso quando assustado.

Iluminação pode ser de recife, mas deixe áreas sombreadas. Ele não exige luz forte e prefere tocas escuras. Trocas parciais de 10 a 15% por semana ajudam a manter a estabilidade que a espécie mais valoriza.

Alimentação: carnívoro que caça no meio da água

Na natureza é zooplanctívoro: alimenta-se de copépodes, larvas de crustáceos, ovos e pequenos anfípodes capturados na coluna d’água perto da toca. Em aquário mantém o mesmo hábito.

A base da dieta deve ser alimento congelado de qualidade como mysis, artêmia enriquecida, cyclops e ovos de lagosta. A maioria aceita ração seca premium para marinhos após adaptação, mas não deve ser a única fonte. Ofereça porções pequenas 2 vezes ao dia, o que ele consome em 2 minutos.

Exemplares recém-chegados podem recusar ração nos primeiros dias. Insista com alimento vivo ou congelado e diminua a competição alimentar. Um peixe-grama bem alimentado mostra cor mais intensa e comportamento mais ativo.

Reprodução: o macho que constrói o ninho e cuida dos ovos

A reprodução em aquário doméstico é rara, mas já documentada. O macho escolhe uma fenda estreita e constrói um ninho com filamentos de algas e pequenos pedaços de substrato colados com muco.

A fêmea deposita de 80 a 200 ovos adesivos com filamentos que grudam no ninho. Após a fertilização, o macho assume todo o cuidado: ventila, limpa e defende os ovos até a eclosão, que ocorre em 7 a 10 dias dependendo da temperatura.

As larvas são pelágicas e minúsculas, exigindo alimento vivo microscópico como rotíferos e náuplios de copépodes. Por isso a criação é restrita a criadores especializados. Não há hermafroditismo confirmado na espécie, diferente de muitos peixes de recife.

Saúde e problemas comuns em aquário marinho

Quando bem aclimatado, é resistente. Os problemas surgem com instabilidade de parâmetros, estresse por falta de tocas ou brigas territoriais. É sensível a ictio marinho (Cryptocaryon) e oodinium, como a maioria dos peixes de recife.

Sinais de alerta incluem perda de cor, ficar sempre escondido sem se alimentar, respiração acelerada e pontos brancos. A quarentena de 2 a 3 semanas antes de introduzir no aquário principal é altamente recomendada.

Transporte e aclimatação devem ser lentos, com gotejamento por 40 a 60 minutos para equalizar salinidade e pH. Evite variações bruscas de temperatura e nunca use medicamentos com cobre em aquário com invertebrados.

Gramma brasiliensis vs Gramma loreto: não confunda

A confusão mais comum é com o Gramma loreto, o peixe-grama real do Caribe. São parecidos, mas a linha de separação de cor entrega a diferença. No brasiliensis a transição roxo-amarelo é mais diagonal e o roxo avança mais sobre o dorso, enquanto no loreto a divisão é mais reta e há uma mancha preta na dorsal.

Além disso, o brasiliensis é exclusivamente brasileiro e sua coleta na natureza é regulada. Sempre prefira exemplares de criação em cativeiro ou de criadouros certificados. Peixes de captura predatória sofrem mais estresse, têm maior mortalidade e impactam recifes já pressionados.

Característica Gramma brasiliensis Gramma loreto
Distribuição Costa do Brasil (endêmico) Caribe e Bahamas
Divisão de cor Diagonal, roxo avança no dorso Mais vertical e nítida
Mancha na dorsal Ausente Presente, preta
Tamanho máximo 6,6 cm 8 cm

Na nossa avaliação, o peixe-grama brasileiro é um dos melhores peixes pequenos para quem quer começar no marinho com personalidade: pequeno, barato de manter e visualmente imbatível, desde que você respeite sua necessidade número um, que é ter uma toca só dele.

Perguntas frequentes

Peixe-grama pode viver em água doce?

Não. É um peixe exclusivamente marinho e precisa de água salgada com salinidade entre 1,023 e 1,025.

Qual o tamanho mínimo do aquário para peixe-grama?

De 80 a 100 litros para um único exemplar, com muitas rochas e tocas. Para dois, só acima de 250 litros e com abrigos separados.

Peixe-grama pode viver com peixe-palhaço?

Sim, geralmente convivem bem. O gramma é pacífico com espécies diferentes e só briga com outro gramma.

Por que meu peixe-grama fica escondido o tempo todo?

É comportamento normal. Ele é reservado e passa boa parte do dia na toca, saindo para se alimentar. Falta de tocas aumenta o estresse.

O que o peixe-grama come?

Microcrustáceos como mysis, artêmia e cyclops, além de ração premium para marinhos. Dieta carnívora variada mantém a cor intensa.

Qual a diferença entre Gramma brasiliensis e Gramma loreto?

O brasiliensis é endêmico do Brasil, sem mancha preta na dorsal e com divisão de cor mais diagonal. O loreto é do Caribe e tem mancha preta.

Peixe-grama pula do aquário?

Sim, é saltador quando assustado. Use tampa ou tela para evitar fugas.

Você sabia?

1

Nada de cabeça para baixo

Dentro de cavernas ele nada com a barriga voltada para o teto da toca, usando a rocha como referência em vez da superfície da água.

2

Descoberto tarde

Apesar das cores neon, só foi reconhecido como espécie distinta em 1988, quando pesquisadores notaram diferenças sutis em relação ao Gramma do Caribe.

3

Arquiteto de ninho

O macho constrói o ninho colando algas com muco dentro de fendas estreitas e depois ventila os ovos com as nadadeiras até eclodirem.

4

Fiel à mesma toca

Na natureza um mesmo indivíduo pode ocupar a mesma fenda por meses, saindo apenas alguns centímetros para se alimentar e voltando rapidamente ao abrigo.

Fontes

  1. FishBase - Gramma brasiliensis
  2. IUCN Red List
  3. WoRMS - World Register of Marine Species

Prós e contras: Peixe-grama

Prós

  • Coloração bicolor roxa e amarela muito chamativa
  • Tamanho pequeno, ideal para nano reef de 80 a 100 litros
  • Pacífico com corais, camarões e peixes de outras espécies
  • Resistente quando a água marinha está estável
  • Comportamento curioso de nadar sob tocas

Contras

  • Muito territorial com outro peixe-grama, só um por aquário
  • Exige água marinha estável, não é para iniciantes em água doce
  • Passa muito tempo escondido, não é peixe de nado constante
  • Pode saltar do aquário se não houver tampa
  • Recusa ração seca nos primeiros dias, precisa de congelados
Nossa opinião

O peixe-grama brasileiro é a prova de que tamanho não define impacto visual. Na nossa avaliação, é um dos peixes marinhos mais custo-benefício para nano reefs, desde que o tutor entenda que ele é um morador de toca territorial, não um nadador de cardume.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.