🦎 Répteis e Anfíbios

Iguana-marinha

Amblyrhynchus cristatus

Atualizado em

70 a 150 cmTamanho
RéptilGrupo
12 a 15 anosExpectativa de vida
Costas rochosas de GalápagosHabitat
Baixo, não venenosaPerigo
Iguana-marinha adulta sobre rochas vulcânicas pretas em Galápagos

A iguana-marinha é o único lagarto do mundo capaz de viver e se alimentar no mar. Endêmica das Ilhas Galápagos, no Equador, ela passa parte do dia mergulhando para comer algas e o resto se aquecendo ao sol sobre rochas vulcânicas.

Réptil herbívoro, de cor quase preta e cauda achatada para nadar, ela pode ficar até 30 minutos submersa e depois precisa recuperar o calor corporal. Dócil e sem veneno, é um símbolo da evolução insular estudada por Charles Darwin e hoje está classificada como vulnerável.

Também conhecido como: Iguana marinha de Galápagos, Marine iguana

Faz parte de: Lagartos e Iguanas

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Galeria de fotos de Iguana-marinha

Iguana-marinha adulta sobre rochas vulcânicas pretas em Galápagos
Adulto de iguana-marinha com coloração escura e cauda achatada para nadar.
Close da cabeça e olhos da iguana-marinha
Detalhe da cabeça curta e das narinas que expelem sal.
Detalhe das escamas e crista dorsal da iguana-marinha
Escamas escuras e crista de espinhos que percorre o dorso.
Iguana-marinha nadando no mar em Galápagos
Natação com ondulações do corpo e da cauda para mergulhar atrás de algas.
Iguana-marinha se alimentando de algas marinhas
Alimentação herbívora raspando algas das rochas submersas.
Grupo de iguanas-marinhas se aquecendo ao sol sobre lava
Grupo se aquecendo ao sol para recuperar o calor após o mergulho.

Perfil rápido de Iguana-marinha

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População em declínio por El Niño, predadores introduzidos e impactos humanos.

População
decrescente
Protegido por
sim

Calendário

AcasalamentoJFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
EclosãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem veneno ou toxinas de pele; mordida defensiva rara pode causar ferimento, sem envenenamento.

Vida útil

Na natureza
12 a 15 anos, podendo chegar a 20 em áreas protegidas

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 5 anos
Tipo de reprodução
Ovípara, sem metamorfose
Ninhada
1 a 6 ovos por postura
Incubação
85 a 110 dias em solo arenoso vulcânico

Habitat

Ambientes

  • Costas rochosas vulcânicas
  • Praias de areia vulcânica
  • Águas costeiras rasas e zona entremarés

Biomas

  • Zona costeira oceânica
  • Ambiente marinho entremarés

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Algas marinhas verdes e vermelhas

Outros alimentos

  • Algas pardas em períodos de escassez

Encontrado em 1 país

  • Equador

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Iguanidae
Gênero
Amblyrhynchus
Espécie
Amblyrhynchus cristatus

Resumo

  • A iguana-marinha é um réptil endêmico de Galápagos e o único lagarto marinho do planeta.
  • Herbívora, alimenta-se de algas no mar e elimina o excesso de sal espirrando pelas narinas.
  • Está classificada como vulnerável devido a eventos climáticos, predadores introduzidos e impactos humanos.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemSquamata
FamíliaIguanidae
Origem e distribuiçãoEndêmica das Ilhas Galápagos, Equador
Tamanho60 a 100 cm (fêmeas) e 100 a 150 cm (machos), incluindo cauda
Peso1 a 5 kg (fêmeas) e 5 a 12 kg (machos grandes)
Corespretocinza-escuromarromavermelhado nos machos em reprodução
HabitatCostas rochosas vulcânicas e águas costeiras rasas
AlimentaçãoHerbívora (algas marinhas)
ReproduçãoOvípara, 1 a 6 ovos, sem metamorfose
AtividadeDiurna
Expectativa de vida12 a 15 anos na natureza, até 20 em condições protegidas
Estado de conservaçãoVulnerável (VU) pela IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Iguana-marinha é réptil ou anfíbio? Resposta direta

A iguana-marinha é um réptil, não um anfíbio. Ela pertence à classe Reptilia, ordem Squamata e família Iguanidae, a mesma das iguanas terrestres.

Diferente dos anfíbios, que têm pele permeável, dependem da água para reproduzir e passam por metamorfose, a iguana-marinha tem pele seca coberta por escamas, respira exclusivamente por pulmões durante toda a vida e põe ovos com casca em solo seco.

A confusão acontece porque ela vive entre o mar e a terra e nada muito bem. Mas isso é adaptação evolutiva, não parentesco com sapos, rãs ou salamandras. É, de fato, o único lagarto marinho do mundo.

Como identificar a iguana-marinha: o único lagarto que vive no mar

Adultos são quase pretos ou cinza muito escuro, cor que ajuda a absorver calor após o mergulho em água fria. Machos grandes podem ficar avermelhados e esverdeados na época reprodutiva, principalmente nas subespécies de Española e Floreana.

O corpo é robusto, com cristas dorsais de espinhos curtos da nuca à cauda, garras fortes para se agarrar às rochas contra a arrebentação e cauda lateralmente achatada que funciona como remo. A cabeça é curta e achatada, com focinho truncado.

Outro detalhe inconfundível é a crosta branca sobre a cabeça e o focinho. É sal cristalizado expelido pelas glândulas nasais. Filhotes são menores, mais acinzentados e com faixas claras discretas.

Como diferenciar de outras iguanas

Iguanas terrestres de Galápagos são amareladas ou acastanhadas, mais altas e com cabeça mais longa, e nunca entram no mar. A iguana-marinha é a única com cauda em forma de remo e comportamento de mergulho.

Em terra ela se locomove de forma desajeitada, arrastando a barriga. Na água, nada com ondulações laterais do corpo e da cauda, mantendo as patas junto ao tronco.

Onde vive e por que só existe em Galápagos

A espécie é endêmica das Ilhas Galápagos, a cerca de 1.000 km da costa do Equador. Ocorre em quase todas as ilhas principais, como Isabela, Fernandina, Santa Cruz, San Cristóbal e Española, sempre junto à linha costeira rochosa de origem vulcânica.

Vive em colônias densas sobre lava negra, pedras e praias de areia vulcânica, onde se aquece em grupo. Raramente se afasta mais de poucos metros do mar. Cada ilha abriga uma subespécie ligeiramente diferente em tamanho e coloração — são reconhecidas 11 subespécies.

O isolamento explica o endemismo. Ancestrais terrestres chegaram flutuando da América do Sul há milhões de anos e se adaptaram ao ambiente marinho por falta de vegetação terrestre. Não existe população natural fora de Galápagos e toda a espécie está protegida dentro do Parque Nacional Galápagos.

O que a iguana-marinha come e como mergulha para se alimentar

É estritamente herbívora. Alimenta-se quase exclusivamente de algas marinhas verdes e vermelhas que crescem sobre rochas submersas. Em anos de escassez, consome algas pardas menos nutritivas.

A estratégia varia com o tamanho. Fêmeas e jovens pastam na entremarés durante a maré baixa, expostos ao ar. Machos grandes mergulham ativamente, descendo de 5 a 10 metros, com registros de até 30 metros em Fernandina e Isabela.

O mergulho dura em média 5 a 10 minutos, podendo chegar a 30 minutos quando a água está mais quente. Para economizar oxigênio, ela reduz os batimentos cardíacos e interrompe a respiração. Como é ectotérmica, perde calor rápido e precisa sair para se aquecer.

Os dentes são tricúspides e achatados, ideais para raspar algas da rocha, e a mordida é adaptada para arrancar o alimento sem engolir muita água salgada.

Como regula a temperatura e por que espirra sal

Como todo réptil, depende do sol para se aquecer. Após o mergulho, fica horas estirada sobre lava escura com o corpo achatado para maximizar a absorção de calor. Sem esse aquecimento, não consegue digerir as algas.

A cor escura não é por acaso: pele preta absorve mais radiação. Em dias frios ou após mergulhos longos, a temperatura corporal pode cair mais de 10 °C, deixando o animal lento e vulnerável.

O excesso de sal ingerido com as algas e a água é filtrado por glândulas de sal nas narinas. O sal concentrado é expelido com um espirro forte e ruidoso, que lança gotas e forma crostas brancas. É normal e não indica doença.

A adaptação ao sal e ao frio é o que permitiu a um lagarto tropical conquistar o mar — algo que nenhum outro lagarto conseguiu.

Reprodução e ciclo de vida nas rochas vulcânicas

A reprodução é sazonal e territorial. Machos disputam haréns em áreas de exibição, balançando a cabeça e exibindo cores avermelhadas. Os maiores e mais quentes mantêm os melhores territórios.

O acasalamento ocorre entre dezembro e janeiro. As fêmeas migram até 2 km para o interior em busca de solo arenoso e vulcânico onde cavar ninhos de 30 a 80 cm de profundidade. Cada uma põe 1 a 6 ovos.

A incubação dura 85 a 110 dias, dependendo da temperatura do solo. Os filhotes eclodem entre maio e julho, com cerca de 20 cm, e correm imediatamente para a costa. Não há cuidado parental.

A maturidade chega aos 3 a 5 anos. Um fato raro: em períodos prolongados de fome, como durante El Niño forte, adultos podem encolher até 20% do comprimento por reabsorção óssea e depois voltar a crescer quando as algas retornam.

É perigosa ou venenosa? Riscos para pessoas e pets

A iguana-marinha não é venenosa, não tem toxinas de pele e não é agressiva. Mordidas só ocorrem se o animal for manipulado ou encurralado, e mesmo assim são raras.

Para humanos, o risco é mínimo. O maior perigo é o estresse causado ao animal por aproximação excessiva. Em Galápagos, a regra do parque exige manter pelo menos 2 metros de distância.

Para cachorros e gatos, ela também não oferece risco de envenenamento. O problema inverso é mais grave: cães, gatos e ratos introduzidos predam ovos e filhotes e são uma das principais ameaças à espécie. Por isso, animais domésticos são rigorosamente controlados nas ilhas.

Como todo réptil, pode carregar Salmonella nas fezes, mas a transmissão exige contato direto e falta de higiene. Não é motivo para alarme, apenas para não tocar ou alimentar animais silvestres.

Papel no ecossistema e por que está vulnerável

Nas costas de Galápagos, ela é herbívora dominante da zona entremarés. Ao pastar algas, controla o crescimento algal, recicla nutrientes entre mar e terra e serve de presa para o gavião-de-Galápagos, seu único predador nativo.

Está avaliada como Vulnerável (VU) pela IUCN, com população total estimada entre 200 mil e 300 mil indivíduos, mas em declínio. A tendência não é uniforme: algumas colônias se recuperam, outras caem drasticamente após eventos climáticos.

As principais ameaças são El Niño, que aquece a água e mata as algas causando fome em massa, predadores introduzidos, derramamentos de óleo, detritos plásticos e o aumento do turismo sem manejo. Em 1997-1998, algumas ilhas perderam mais de 60% da população.

A espécie é totalmente protegida: coleta, comércio e criação em cativeiro são proibidos. Toda a área de ocorrência está dentro de Parque Nacional e Reserva Marinha de Galápagos, Patrimônio Natural da Humanidade.

Curiosidades que só a iguana-marinha tem

Charles Darwin, ao vê-la em 1835, a descreveu como “imps of darkness” (diabretes da escuridão) por achar seu aspecto feio e desajeitado em terra — mas reconheceu sua natação elegante.

Ela consegue interromper o crescimento e até encolher quando passa fome, algo extremamente raro em vertebrados. O encurtamento ocorre nos ossos longos e é reversível.

Filhotes recém-eclodidos precisam aprender sozinhos o que comer e observam adultos mais velhos para identificar algas comestíveis, um exemplo de aprendizado social em répteis.

Apesar de marinha, bebe pouca água do mar. Obtém a maior parte da hidratação das próprias algas e da água da chuva acumulada nas rochas.

Perguntas frequentes

Iguana-marinha é réptil ou anfíbio?

É um réptil da ordem Squamata, família Iguanidae. Tem escamas, pulmões e põe ovos com casca, sem metamorfose, diferente dos anfíbios.

Onde vive a iguana-marinha?

Só nas Ilhas Galápagos, no Equador. Vive em colônias nas costas rochosas vulcânicas e nas águas rasas ao redor.

O que a iguana-marinha come?

Quase só algas marinhas verdes e vermelhas raspadas das rochas. É estritamente herbívora.

A iguana-marinha é venenosa ou perigosa?

Não. Não tem veneno nem toxinas e é dócil. Mantém distância de 2 metros por lei em Galápagos para não estressar o animal.

Quanto tempo a iguana-marinha fica embaixo d'água?

Em média 5 a 10 minutos, podendo chegar a 30 minutos e até 30 metros de profundidade nos machos maiores.

Por que a iguana-marinha espirra?

Para expelir o excesso de sal filtrado por glândulas nasais. O espirro deixa crostas brancas de sal na cabeça.

Pode ter iguana-marinha como pet no Brasil?

Não. É espécie silvestre protegida, endêmica de Galápagos, com comércio e criação proibidos. No Brasil, só animais de criadouros autorizados pelo IBAMA podem ser pets.

Você sabia?

1

Encolhe quando passa fome

Em anos de El Niño, quando as algas somem, a iguana-marinha pode perder até 20% do comprimento corporal por reabsorção óssea e depois voltar a crescer quando a comida retorna — fenômeno raríssimo em vertebrados adultos.

2

Espirro de sal

Glândulas nasais filtram o sal da água do mar e o animal o expele com um espirro forte, deixando crostas brancas sobre a cabeça e o focinho.

3

Chamada de diabrete por Darwin

Charles Darwin descreveu a espécie como 'imps of darkness' (diabretes da escuridão) pela aparência escura e pelo andar desajeitado em terra.

4

Mergulho com freio cardíaco

Para economizar oxigênio, reduz os batimentos cardíacos durante o mergulho e pode ficar até 30 minutos submersa, embora a maioria dos mergulhos dure 5 a 10 minutos.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. Reptile Database
  3. Charles Darwin Foundation - Galápagos
  4. Parque Nacional Galápagos

Prós e contras: Iguana-marinha

Prós

  • Único lagarto marinho do mundo, de enorme valor científico e evolutivo
  • Indicadora da saúde do ecossistema costeiro de Galápagos
  • Herbívora e dócil, sem risco de veneno para pessoas e pets
  • Comportamento fascinante de mergulho, termorregulação e espirro de sal

Contras

  • Extremamente sensível a El Niño e ao aquecimento da água
  • Vulnerável a predadores introduzidos como gatos, cães e ratos
  • Não pode ser criada como pet e exige proteção legal rigorosa
  • Distribuição restrita a um único arquipélago, qualquer desastre local afeta toda a espécie
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a iguana-marinha é o exemplo mais impressionante de adaptação insular entre os répteis: um lagarto que trocou a terra firme pelo mar sem deixar de ser réptil. Protegê-la é proteger Galápagos como um todo, porque sua vulnerabilidade revela o equilíbrio frágil entre clima, oceano e espécies invasoras.

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