🐍 Serpentes

Víbora-de-Orsini

Vipera ursinii

Atualizado em

40 a 50 cm (máx. 63 cm)Tamanho
Baixo (raramente grave)Perigo para humanos
Peçonhenta - leveVeneno
7 a 10 anosExpectativa de vida
Prados alpinos e estepesHabitat
Víbora-de-Orsini adulta enrolada em prado alpino mostrando padrão em zigue-zague

A Víbora-de-Orsini (Vipera ursinii) é a menor víbora da Europa, com 40 a 50 cm de comprimento, e uma das mais raras do continente. Peçonhenta, mas extremamente tímida, ela prefere fugir a morder e seu veneno raramente representa risco grave para um adulto saudável.

Vive apenas em prados e estepes de altitude, em populações muito fragmentadas da França ao Cazaquistão e China. Essa distribuição em ilhas ecológicas, somada à destruição de seu habitat, a tornou classificada como Vulnerável pela IUCN.

Também conhecido como: Víbora-dos-prados, Víbora-de-Orsini, Meadow Viper, Orsini's Viper, Vipère d'Orsini, Vipera dell'Orsini

Faz parte de: Serpentes Peçonhentas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Víbora-de-Orsini

Víbora-de-Orsini adulta enrolada em prado alpino mostrando padrão em zigue-zague
Adulto de Víbora-de-Orsini em prado alpino, note o tamanho pequeno e o zigue-zague dorsal.
Close da cabeça da Víbora-de-Orsini mostrando pupila vertical e escamas pequenas
Detalhe da cabeça com pupila vertical e escamas pequenas características.
Detalhe do padrão de escamas da Víbora-de-Orsini com zigue-zague escuro
Padrão dorsal em zigue-zague sobre fundo cinza-claro.
Víbora-de-Orsini em seu habitat natural de prado alpino com gramíneas baixas
Habitat típico: prados gramíneos úmidos de altitude.
Filhote de Víbora-de-Orsini com ponta da cauda amarelada
Filhote recém-nascido, com cerca de 15 cm e ponta da cauda amarelada.
Víbora-de-Orsini caçando gafanhoto no prado
Caçando gafanhotos, sua principal presa.

Perfil rápido de Víbora-de-Orsini

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Populações pequenas e fragmentadas em declínio contínuo por perda de prados e estepes.

População
Em declínio
Protegido por
Sim

Calendário

HibernaçãoJFMAMJJASOND
Atividade e alimentaçãoJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Veneno de baixa potência, mas com risco para crianças, idosos, alérgicos e animais de pequeno porte. Procure atendimento médico imediato.

Vida útil

Na natureza
7 a 10 anos, raramente 12
Em cativeiro
Até 12 anos com manejo especializado

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 4 anos
Tipo de reprodução
Vivípara (dá à luz filhotes formados)
Época de acasalamento
Abril a maio, logo após hibernação
Gestação
90 a 120 dias
Ninhada
3 a 8 filhotes com 14 a 16 cm
Frequência reprodutiva
Fêmeas reproduzem a cada 2 a 3 anos
Cuidado parental
Nenhum, filhotes independentes ao nascer

Habitat

Ambientes

  • prados alpinos e subalpinos
  • estepes gramíneas
  • encostas rochosas com vegetação baixa
  • clareiras úmidas de altitude

Biomas

  • Pradarias e estepes temperadas
  • Campos alpinos

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • gafanhotos e grilos (ortópteros)

Outros alimentos

  • lagartos
  • pequenos roedores
  • aranhas (filhotes)

Encontrado em 12 países

  • França
  • Itália
  • Eslovênia
  • Croácia
  • Bósnia e Herzegovina
  • Sérvia
  • Hungria
  • Romênia
  • Bulgária
  • Grécia
  • Ucrânia
  • Rússia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Viperidae
Gênero
Vipera
Espécie
Vipera ursinii (Bonaparte, 1835)

Resumo

  • A Víbora-de-Orsini é a menor víbora europeia, com 40 a 50 cm, peçonhenta de veneno leve e comportamento muito tímido.
  • Vive em prados alpinos e estepes entre 1.000 e 2.700 m de altitude, com distribuição extremamente fragmentada da Europa ao centro da Ásia.
  • Está classificada como Vulnerável, depende de gafanhotos e grilos para se alimentar e hiberna até 7 meses por ano.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata | Viperidae
Origem e distribuiçãoEuropa e Ásia Central (populações fragmentadas da França à China)
Tamanho (comprimento)40 a 50 cm, máximo 63 cm; fêmeas maiores que machos
Peso30 a 90 g
Cores e padrãocinza-clarobegeamareladomarromcom zigue-zague dorsal marrom-escuro ou preto
Veneno (peçonhenta ou não)Peçonhenta (citotóxico e hemotóxico de baixa potência)
DentiçãoSolenóglifa (presas móveis frontais)
Reprodução (ovípara ou vivípara)Vivípara
AlimentaçãoPrincipalmente gafanhotos e grilos, além de lagartos e pequenos roedores
HabitatPrados alpinos, estepes gramíneas e encostas rochosas úmidas entre 1.000 e 2.700 m
Atividade (diurna ou noturna)Diurna
Expectativa de vida7 a 10 anos na natureza, até 12 em cativeiro
Estado de conservaçãoVulnerável (VU) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
AgressividadeMuito baixo
Presença perto de casasMuito baixo
Importância no controle de roedoresMédio
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaBaixo

Como identificar a Víbora-de-Orsini sem confundir

A Víbora-de-Orsini é discretíssima e pequena, fácil de confundir com uma cobra jovem. O adulto raramente passa de 50 cm, com corpo fino e cabeça pouco destacada do pescoço, diferente da cabeça triangular bem marcada da víbora-comum.

A coloração de fundo varia de cinza-claro e bege a amarelado, com uma faixa em zigue-zague marrom-escuro ou preta ao longo do dorso. Nas laterais há manchas escuras arredondadas e o ventre é cinza-esbranquiçado. Machos tendem a ser mais contrastados, fêmeas mais amarronzadas.

  • Cabeça: pequena, com escamas pequenas na parte superior (não placas grandes como em cobras não peçonhentas).
  • Pupila: vertical em fenda, típica de viperídeos europeus, visível de perto.
  • Cauda: curta e fina, com ponta amarelada nos filhotes.
  • Escamas: quilhadas, que dão aspecto áspero e opaco, não brilhante.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é confundi-la com a Vipera berus (víbora-comum) ou com cobras lisas como Coronella austriaca. A Orsini é sempre menor, mais esbelta e vive exclusivamente em prado aberto, nunca em floresta densa.

Onde vive: a serpente mais fragmentada da Europa

A distribuição da espécie é um dos casos mais extremos de fragmentação entre serpentes europeias. Não há uma área contínua: são ilhas populacionais isoladas em prados de altitude nos Alpes franceses e italianos, Bálcãs, Cárpatos, Hungria, Romênia, Moldávia, Ucrânia, sul da Rússia, Cazaquistão e noroeste da China.

Ela é especialista em prados gramíneos úmidos, estepes e encostas alpinas entre 1.000 e 2.700 metros. Precisa de vegetação baixa e densa para se esconder, áreas ensolaradas para termorregulação e tocas de roedores para hibernar. Não ocorre em florestas fechadas, áreas agrícolas intensivas ou perto de cidades.

Essa exigência explica seu declínio. Cada população depende de um micro-habitat que está sendo perdido por abandono do pastoreio tradicional, reflorestamento artificial, agricultura intensiva e mudanças climáticas que secam os prados. A espécie não coloniza novas áreas facilmente.

Comportamento: a víbora que prefere fugir a morder

Se existe uma víbora dócil, é esta. A Víbora-de-Orsini é extremamente tímida e nada agressiva. Ao perceber vibrações no solo, sua primeira reação é ficar imóvel e depois deslizar lentamente para dentro da vegetação.

É estritamente diurna e heliófila. Passa as manhãs se aquecendo ao sol em pequenas clareiras e o resto do dia caçando entre a grama. Em dias nublados ou frios, quase não se expõe. Sua atividade anual é curta: fica ativa apenas de abril a setembro, hibernando de 6 a 7 meses em tocas profundas abaixo da linha de geada.

Quando encurralada, pode achatar o corpo, sibilar baixo e dar botes curtos, mas morde apenas como último recurso. A maioria dos acidentes ocorre por pisoteio acidental com botas inadequadas em trilhas de montanha.

O que come e como caça em prados frios

Diferente da maioria das víboras europeias, que preferem roedores, a Orsini é especialista em ortópteros. Cerca de 60 a 70% da dieta de adultos é composta por gafanhotos e grilos.

Essa dieta incomum está ligada ao seu tamanho pequeno e ao habitat frio, onde insetos são mais abundantes que mamíferos no verão. Ela caça à espreita, imóvel entre a grama, e projeta o bote a curta distância. O veneno imobiliza rapidamente insetos e pequenos lagartos.

  • Principal: gafanhotos, grilos e esperanças
  • Secundário: lagartos como Lacerta e Podarcis, e filhotes de roedores como Microtus
  • Filhotes: quase exclusivamente pequenos gafanhotos e aranhas

No outono, antes da hibernação, pode fazer uma refeição maior com um lagarto ou camundongo para acumular gordura. Fica até semanas sem comer durante a hibernação e em períodos frios.

Reprodução e ciclo de vida em altitude

A reprodução é vivípara, uma adaptação ao frio: a fêmea retém os ovos no corpo e dá à luz filhotes já formados, evitando que ovos morram no solo gelado.

O acasalamento ocorre logo após sair da hibernação, entre abril e maio. Machos competem em combates ritualizados, entrelaçando o corpo sem morder. A gestação dura cerca de 3 a 4 meses.

Entre agosto e setembro, a fêmea pare de 3 a 8 filhotes com 14 a 16 cm, já independentes e com veneno. Ela não cuida da ninhada. As fêmeas se reproduzem apenas a cada 2 ou 3 anos, pois precisam recuperar energia em um ambiente pobre. Isso torna a espécie muito sensível à mortalidade de adultos.

A maturidade sexual chega aos 3 a 4 anos. A longevidade na natureza raramente passa de 10 anos devido a predadores como aves de rapina, corvos e mustelídeos.

Veneno e picada: é perigosa? O que fazer

Sim, é peçonhenta com dentição solenóglifa, mas seu veneno é considerado de baixa potência comparado a outras víboras europeias como Vipera ammodytes ou Vipera berus. A quantidade inoculada também é pequena pelo tamanho da glândula.

Em adultos saudáveis, a picada costuma causar dor local, inchaço, vermelhidão e náusea, com resolução em poucos dias. O risco é maior para crianças pequenas, idosos, alérgicos e pets. Não há registro recente de morte humana confirmada por Vipera ursinii na literatura médica europeia.

Isso não significa subestimar. Toda picada de víbora exige avaliação médica.

O que fazer e o que nunca fazer

  • Afaste-se com calma e mantenha o membro picado em repouso e elevado.
  • Procure atendimento médico imediato. Na Europa, há soro antiviperino polivalente. No Brasil, não há casos, mas a orientação é a mesma para qualquer acidente ofídico.
  • Não faça torniquete, não corte, não sugue, não aplique gelo, álcool ou receitas caseiras.
  • Não tente capturar ou matar a serpente. Se possível, fotografe de longe para identificação.
  • Leve a pessoa ao hospital mesmo sem sintomas graves e observe por 6 a 12 horas.

Papel no ecossistema e por que está desaparecendo

Nos prados onde vive, a Orsini é um regulador fino de insetos. Ao consumir grandes quantidades de gafanhotos, ajuda a equilibrar a vegetação alpina. Ao mesmo tempo, serve de presa para águia-cobreira, urubu e texugo.

Sua presença indica prado saudável e bem manejado. Onde ela some, o ecossistema já está degradado. O declínio é documentado em quase toda a área: estima-se redução de mais de 30% em três gerações.

As ameaças principais são perda de habitat, fragmentação genética, coleta ilegal e mortalidade por manejo agrícola com máquinas. O aquecimento global empurra a espécie para altitudes cada vez maiores, onde há menos área disponível.

O que fazer ao encontrar uma na trilha

Encontrar uma Orsini é raro e um privilégio para naturalistas. Ela não representa perigo se respeitada. Mantenha distância mínima de 2 metros e não tente manusear.

Se estiver em trilha nos Alpes, Cárpatos ou Bálcãs, use bota alta e observe onde pisa e onde apoia as mãos. Não levante pedras ou troncos sem necessidade. Mantenha cães na guia em áreas de prado.

Nunca mate a serpente. Em toda a União Europeia ela é estritamente protegida pela Diretiva Habitats. Se a vir em área de risco, avise guardas do parque ou autoridades ambientais locais. Fotografar sem flash, de longe, é a melhor forma de registrar.

Perguntas frequentes

A Víbora-de-Orsini é perigosa para humanos?

É peçonhenta, mas de baixa periculosidade. A picada causa dor e inchaço local e raramente evolui para quadro grave em adultos, mas crianças, idosos e alérgicos devem receber atendimento médico imediato.

Onde vive a Víbora-de-Orsini?

Em prados alpinos e estepes entre 1.000 e 2.700 m, em populações isoladas da França e Itália até Ucrânia, Rússia, Cazaquistão e China. Não ocorre no Brasil.

Como diferenciar a Víbora-de-Orsini de outras víboras?

É a menor víbora europeia (40-50 cm), com corpo fino, cabeça pouco destacada e zigue-zague dorsal estreito sobre fundo cinza-bege. Vive só em prado aberto, nunca em floresta.

O que a Víbora-de-Orsini come?

Principalmente gafanhotos e grilos, que formam até 70% da dieta. Complementa com lagartos e pequenos roedores.

Ela põe ovos?

Não. É vivípara: a fêmea dá à luz de 3 a 8 filhotes já formados entre agosto e setembro, a cada 2 ou 3 anos.

Posso criar Víbora-de-Orsini como pet?

Não. É espécie silvestre estritamente protegida na Europa, com criação proibida para leigos e sem autorização no Brasil pelo IBAMA. O comércio de animais capturados é crime.

O que fazer se for picado?

Mantenha a calma, lave com água e sabão, mantenha o membro em repouso e procure hospital imediatamente. Não faça torniquete, não corte e não sugue o local.

Você sabia?

1

A menor víbora da Europa

Com 40 a 50 cm, a Víbora-de-Orsini é menor que muitas cobras não peçonhentas europeias e cabe facilmente na palma da mão esticada, o que a torna quase invisível na grama alta.

2

Hiberna mais do que fica acordada

Em altitudes acima de 2.000 m, ela passa até 7 meses hibernando em tocas de roedores abaixo da geada, ficando ativa apenas 5 meses por ano.

3

Nome em homenagem a um naturalista italiano

Foi descrita em 1835 e batizada em homenagem a Antonio Orsini, naturalista de Ascoli Piceno que enviou o primeiro exemplar ao zoólogo Bonaparte.

4

Cinco subespécies isoladas

São reconhecidas 5 subespécies, cada uma presa a uma região diferente, como Vipera ursinii ursinii nos Apeninos e Vipera ursinii rakosiensis nas estepes húngaras, esta última à beira da extinção.

Fontes

  1. IUCN Red List - Vipera ursinii
  2. The Reptile Database - Vipera ursinii
  3. Instituto Butantan
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Víbora-de-Orsini

Prós

  • Extremamente tímida, evita contato e raramente morde
  • Veneno de baixa potência comparado a outras víboras europeias
  • Indicadora de prados saudáveis e bem conservados
  • Importante no controle natural de gafanhotos
  • Pequena e discreta, fácil de coexistir se respeitada

Contras

  • Peçonhenta, exige atenção médica em caso de picada
  • Populações muito fragmentadas e vulneráveis à extinção
  • Não se adapta a áreas agrícolas ou urbanas
  • Reprodução lenta, a cada 2 a 3 anos, dificulta recuperação
  • Hibernação longa a torna sensível a mudanças climáticas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Víbora-de-Orsini é o melhor exemplo de como uma serpente peçonhenta pode ser inofensiva e ao mesmo tempo extremamente vulnerável. Protegê-la exige menos medo e mais manejo correto dos prados, pois sem pastoreio tradicional e sem insetos, ela simplesmente desaparece.

Continue explorando: Serpentes

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.