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Jararaca-ilhoa

Bothrops insularis

Atualizado em

65 a 90 cm (até 118 cm)Tamanho
AltíssimoPerigo para humanos
Peçonhenta - bothrópico potenteVeneno
10 a 15 anos (até 20)Expectativa de vida
Ilha da Queimada Grande, SPHabitat
Jararaca-ilhoa adulta enrolada no solo da mata da Ilha da Queimada Grande

A jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) é uma serpente peçonhenta endêmica da Ilha da Queimada Grande, a cerca de 35 km da costa de Itanhapecerque e Peruíbe, no litoral de São Paulo. Conhecida também como golden lancehead, ela evoluiu isolada do continente há cerca de 11 mil anos e se distingue pela coloração amarelo-ouro pálida e hábitos semiarborícolas.

É uma das serpentes mais temidas e estudadas do Brasil, não pelo número de acidentes — já que a ilha é fechada à visitação — mas pela potência do seu veneno, até cinco vezes mais ativo que o da jararaca-comum (Bothrops jararaca) em aves, sua presa principal. A espécie é vivípara, mede em média 70 cm e pode chegar a 118 cm nas fêmeas.

Criticamente ameaçada de extinção, a jararaca-ilhoa tem população estimada entre 2.000 e 4.000 indivíduos em apenas 43 hectares de Mata Atlântica insular. Seu estudo é fundamental para a produção de medicamentos e para entender a evolução insular, mas o tráfico para colecionadores ilegais e a degradação do habitat ainda a colocam em risco extremo.

Também conhecido como: Jararaca-ilhoa, Golden Lancehead (inglês), Jararaca da Queimada Grande, Bothrops insularis

Faz parte de: Serpentes do Brasil, Serpentes Peçonhentas

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Galeria de fotos de Jararaca-ilhoa

Jararaca-ilhoa adulta enrolada no solo da mata da Ilha da Queimada Grande
Jararaca-ilhoa adulta com coloração amarelo-ouro característica.
Close da cabeça da jararaca-ilhoa mostrando fosseta loreal e pupila vertical
Detalhe da cabeça triangular e da fosseta loreal da jararaca-ilhoa.
Filhote de jararaca-ilhoa com ponta da cauda clara sobre folhas
Filhote com ponta da cauda clara usada para atrair presas.
Jararaca-ilhoa em galho baixo em posição de caça a aves
Hábito semiarborícola: caça aves emboscada em galhos baixos.
Detalhe das escamas e padrão de cor da jararaca-ilhoa
Padrão de escamas amarelo-ouro com manchas pouco contrastadas.
Habitat da Ilha da Queimada Grande com Mata Atlântica densa
Ilha da Queimada Grande, único local do mundo onde vive a espécie.

Perfil rápido de Jararaca-ilhoa

Estado de conservação

CR
Criticamente em Perigo

População restrita a uma única ilha de 43 hectares com menos de 4.000 indivíduos maduros.

População
estável com risco extremo
Protegido por
Sim - ARIE Ilha da Queimada Grande, acesso proibido por ICMBio e Marinha do Brasil. Crime ambiental capturar ou comercializar.

Calendário

Maior atividade (caça a aves migratórias)JFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
Nascimento dos filhotesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Peçonhenta de alto risco. Veneno bothrópico com ação hemorrágica, coagulante e proteolítica. Acidente exige soro antibotrópico imediato. Não faça torniquete, corte ou sucção.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro autorizado
até 20 anos

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara (dá à luz filhotes formados)
Época de acasalamento
Outono e inverno (março a julho)
Nascimentos
Final do inverno (agosto a setembro)
Ninhada
6 a 12 filhotes, com cerca de 20 cm
Maturidade sexual
2 a 3 anos

Habitat

Ambientes

  • Mata Atlântica insular densa
  • Serapilheira úmida
  • Galhos baixos e arbustos
  • Fendas de rochas e troncos caídos

Biomas

  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Aves migratórias (Elaenia, Turdus)

Outros alimentos

  • Lacraias (Scolopendra)
  • Pererecas e rãs
  • Lagartos (Mabuya)

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Viperidae
Gênero
Bothrops
Espécie
Bothrops insularis (Amaral, 1922)

Resumo

  • A jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) é uma serpente peçonhenta endêmica da Ilha da Queimada Grande, em São Paulo, com coloração amarelo-ouro e veneno bothrópico altamente potente.
  • Vive exclusivamente em 43 hectares de Mata Atlântica insular, caça aves migratórias em galhos e tem hábitos semiarborícolas e predominantemente noturnos.
  • Está criticamente ameaçada de extinção, com acesso à ilha proibido pela Marinha e ICMBio, e sua picada exige atendimento médico imediato com soro antibotrópico.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata, Viperidae
Origem e distribuiçãoEndêmica da Ilha da Queimada Grande, litoral sul de São Paulo, Brasil
Tamanho (comprimento)Machos 50 a 75 cm; fêmeas 65 a 90 cm, recorde 118 cm
Peso150 a 400 g (fêmeas maiores)
Cores e padrãoamarelo-ouro pálidomarrom-clarocremecom manchas triangulares pouco contrastadas
VenenoPeçonhenta - bothrópico (hemotóxico e coagulante)
DentiçãoSolenóglifa (presas inoculadoras móveis)
ReproduçãoVivípara
AlimentaçãoCarnívora (aves, pererecas, lagartos e lacraias)
HabitatMata Atlântica insular, serapilheira e galhos baixos
AtividadePredominantemente noturna e crepuscular, semiarborícola
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza; até 20 em cativeiro autorizado
Estado de conservaçãoCriticamente em Perigo (CR) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito alto
AgressividadeMédio
Presença perto de casasMuito baixo
Importância no controle de roedoresMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaAlto

O que é a jararaca-ilhoa e por que ela é única

A jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) é uma serpente peçonhenta endêmica de uma única ilha no mundo: a Ilha da Queimada Grande. Ela não ocorre em nenhum outro lugar do Brasil ou do planeta.

Isolada do continente há cerca de 11 mil anos, quando o nível do mar subiu após a última glaciação, ela evoluiu de forma completamente diferente da jararaca-comum. O isolamento gerou adaptações exclusivas, como o veneno mais rápido e a coloração clara para se camuflar entre galhos e folhagem.

Na nossa avaliação, é o exemplo mais impressionante de evolução insular entre as serpentes brasileiras. Nenhuma outra Bothrops tem uma história tão restrita e tão especializada.

Como identificar a jararaca-ilhoa

Reconhecer a espécie é relativamente simples, mas só faz sentido para pesquisadores autorizados, já que o acesso à ilha é proibido. Ela tem cor amarelo-ouro pálida a marrom-clara, quase uniforme, com desenhos triangulares dorsais bem apagados.

A cabeça é triangular e bem destacada do pescoço, com fosseta loreal entre o olho e a narina, típica das jararacas. Os olhos têm pupila vertical e a cauda não tem chocalho, o que a diferencia imediatamente da cascavel.

Diferenças para a jararaca-comum (Bothrops jararaca)

  • Cor: ilhoa é amarelo-ouro claro; jararaca-comum é marrom-escura com desenhos em forma de gancho bem marcados.
  • Tamanho: ilhoa é menor e mais esguia (média de 70 cm); jararaca-comum passa facilmente de 1,20 m.
  • Hábitos: ilhoa é semiarborícola e sobe em árvores para caçar; jararaca-comum é essencialmente terrestre.
  • Distribuição: ilhoa só na Queimada Grande; jararaca-comum ocorre em quase toda a Mata Atlântica continental.

Filhotes da ilhoa se distinguem ainda pela ponta da cauda esbranquiçada, usada para atrair presas (caudal luring), que escurece na fase adulta.

Onde vive: a Ilha da Queimada Grande

A espécie ocupa apenas 43 hectares no topo da Ilha da Queimada Grande, um arquipélago rochoso de 137 hectares totais. A ilha fica a 35 km da costa, entre Itanhaém e Peruíbe, e é coberta por Mata Atlântica densa e úmida.

O local é considerado Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) e o desembarque é proibido pela Marinha do Brasil e pelo ICMBio. Só entram pesquisadores com autorização e militares para manutenção do farol automatizado.

A densidade já foi estimada em 1 a 5 serpentes por metro quadrado em alguns setores nos anos 1990, número hoje contestado e revisado para algo entre 2.000 e 4.000 indivíduos no total. Mesmo assim, é uma das maiores densidades de serpentes peçonhentas do mundo.

Veneno e picada: é perigosa? O que fazer

Sim, é extremamente perigosa. O veneno é do tipo bothrópico, com ação proteolítica, hemorrágica e coagulante. Estudos do Instituto Butantan mostram que ele é 3 a 5 vezes mais potente que o da Bothrops jararaca para aves e também altamente ativo em mamíferos.

A diferença está na velocidade: como precisa imobilizar aves antes que voem, o veneno age muito rápido, causando necrose, sangramento, insuficiência renal e choque se não tratado. Não existe soro específico para Bothrops insularis, o tratamento é feito com soro antibotrópico disponível em hospitais de referência.

Acidentes com humanos são raríssimos e restritos a pesquisadores e militares. Se houver picada:

  • Afastar-se imediatamente e não tentar capturar ou matar a serpente.
  • Lavar o local com água e sabão e manter a vítima em repouso, sem torniquete, sem corte, sem sucção e sem remédios caseiros.
  • Procurar atendimento médico imediato e, se possível, fotografar a serpente de longe para identificação. Ligue para o SAMU 192 ou Corpo de Bombeiros 193.

Toda serpente é fauna silvestre protegida por lei. Matar, capturar ou comercializar a jararaca-ilhoa é crime ambiental.

O que come e como caça aves em pleno voo

A dieta da jararaca-ilhoa é um dos fatos mais singulares entre as jararacas. Adultos se alimentam quase exclusivamente de aves, principalmente das migratórias Elaenia e Turdis que usam a ilha como ponto de descanso.

Filhotes e jovens, por outro lado, comem lacraias gigantes (Scolopendra), pererecas, lagartos e pequenas rãs. Essa mudança alimentar com a idade explica por que o veneno dos jovens é diferente do dos adultos.

A caça é de emboscada e arborícola. Ela fica enrolada em galhos a 1 ou 2 metros do chão, imóvel por horas, e desfere o bote quando a ave pousa. Após a picada, ela solta a presa e a segue pelo cheiro até a morte, evitando ser ferida pelo bater de asas.

Comportamento e hábitos

A jararaca-ilhoa é predominantemente noturna e crepuscular, mas pode ser vista ativa durante o dia em períodos nublados. É mais ágil em árvores que a maioria das Bothrops continentais.

Não é considerada agressiva sem motivo. Como toda jararaca, prefere fugir ou ficar imóvel quando percebe vibrações. O bote só ocorre se for pisada, encurralada ou manipulada. Em cativeiro, pesquisadores relatam temperamento relativamente calmo comparado à jararaca-comum.

Durante o dia, abriga-se sob folhas, troncos caídos e fendas de rochas, onde mantém a umidade e a temperatura estáveis. A ilha não tem mamíferos terrestres, por isso ela não depende de roedores como as jararacas do continente.

Reprodução e ciclo de vida

É uma espécie vivípara: a fêmea não põe ovos, mas dá à luz filhotes já formados. O acasalamento ocorre entre março e julho, e os nascimentos entre agosto e setembro.

Cada ninhada tem em média 6 a 12 filhotes, com cerca de 20 cm ao nascer. Já nascem peçonhentos e independentes. Um dado raro: foram registrados casos de intersexos na população, com fêmeas apresentando hemipênis rudimentares, fenômeno ligado ao isolamento genético.

A maturidade sexual chega por volta de 2 a 3 anos. A longevidade na natureza é estimada em 10 a 15 anos, podendo chegar a 20 anos em criadouros científicos autorizados, como o Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan.

Estado de conservação: por que está criticamente ameaçada

A jararaca-ilhoa é classificada como Criticamente em Perigo (CR) pela IUCN. Os motivos são claros: distribuição minúscula, população pequena e vulnerável a qualquer alteração.

As principais ameaças são o tráfico ilegal para colecionadores estrangeiros — um único exemplar já foi avaliado em até 30 mil dólares no mercado negro —, queimadas históricas para cultivo de bananas, coleta para pesquisa sem controle no passado e a endogamia.

Hoje a espécie é protegida por lei e todo manejo depende de autorização do ICMBio. O Instituto Butantan mantém um plantel de segurança genética fora da ilha, essencial para estudos de veneno sem pressionar a população selvagem.

O que fazer ao encontrar uma serpente parecida no continente

Você nunca encontrará uma jararaca-ilhoa fora da Queimada Grande. Se vir uma serpente amarelada no continente, é outra espécie, como a jararaca-comum juvenil ou a caninana.

A regra para qualquer serpente é a mesma: não se aproxime, não tente identificar tocando e não tente matar. Mantenha distância de pelo menos 2 metros, afaste crianças e animais domésticos e acione o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Ambiental.

Para evitar encontros em trilhas e sítios da Mata Atlântica, use bota alta e perneira, bata o chão com um bastão e nunca coloque as mãos em buracos ou sob pedras. Serpentes são fundamentais para o equilíbrio ambiental e a maioria dos acidentes acontece quando alguém tenta manipulá-las.

Perguntas frequentes

Jararaca-ilhoa existe fora da Ilha da Queimada Grande?

Não. Ela é endêmica da Ilha da Queimada Grande, em São Paulo. Qualquer serpente parecida no continente é outra espécie, como a jararaca-comum.

A jararaca-ilhoa é a cobra mais venenosa do Brasil?

É uma das mais peçonhentas. Seu veneno é até 5 vezes mais potente que o da jararaca-comum em aves, mas surucucu e coral-verdadeira também têm venenos extremamente perigosos.

É possível visitar a Ilha da Queimada Grande?

Não. O acesso é proibido pela Marinha e pelo ICMBio. Só pesquisadores com autorização específica podem desembarcar, por segurança e para proteger a espécie.

O que acontece se for picado pela jararaca-ilhoa?

O veneno causa dor intensa, inchaço, sangramento e risco de insuficiência renal. É emergência médica: vá imediatamente ao hospital para receber soro antibotrópico. Não faça torniquete, corte ou sucção.

Por que ela é amarelo-ouro?

A coloração clara é uma adaptação para se camuflar entre galhos e folhas secas onde caça aves. Filhotes têm a ponta da cauda clara para atrair presas.

A jararaca-ilhoa está em extinção?

Sim, é classificada como Criticamente em Perigo (CR) pela IUCN, com população estimada entre 2.000 e 4.000 indivíduos em apenas 43 hectares.

Ela pode ser criada como pet?

Não. É fauna silvestre protegida, de altíssimo risco e criação proibida. No Brasil, só instituições científicas autorizadas pelo IBAMA/ICMBio podem mantê-la.

Fatos surpreendentes sobre a jararaca-ilhoa

1

O veneno que virou remédio

Toxinas do veneno da jararaca-ilhoa são estudadas para criar medicamentos anti-hipertensivos e anticoagulantes, assim como ocorreu com o captopril, derivado da jararaca-comum.

2

Sem mamíferos para comer

Como a ilha não tem ratos nativos, a espécie abandonou a dieta de roedores e se especializou em aves migratórias, algo raríssimo entre as jararacas do gênero Bothrops.

3

Farol que salvou a espécie

O farol da Queimada Grande foi automatizado em 1925 e a Marinha proibiu a habitação humana, o que involuntariamente protegeu a serpente da extinção por desmatamento total.

4

Intersexos na ilha

Cerca de 1 em cada 10 fêmeas nasce com sistema reprodutor com características masculinas, com hemipênis vestigiais, consequência direta de milhares de anos de isolamento genético.

Fontes

  1. Instituto Butantan - Serpentes Peçonhentas
  2. IUCN Red List - Bothrops insularis
  3. Reptile Database - Bothrops insularis
  4. ICMBio - ARIE Ilha da Queimada Grande

Prós e contras: Jararaca-ilhoa

Prós

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Contras

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Nossa opinião

Na nossa avaliação, a jararaca-ilhoa é a serpente mais emblemática do Brasil para entender evolução e conservação: seu veneno extremamente especializado é uma joia científica que só existe porque a ilha permaneceu intacta. Protegê-la não é sobre temer a picada, mas sobre garantir que um laboratório natural único não desapareça por tráfico ou descuido.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.