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Bicho-do-pé

Tunga penetrans

Atualizado em

1 a 2 mm (fêmea grávida até 1 cm)Tamanho
Sangue de humanos e animaisAlimentação
3 a 6 semanas, metamorfose completaCiclo de vida
Solo arenoso, seco e quintaisHabitat
Alto se não tratado (infecções)Perigo para humanos
Bicho-do-pé Tunga penetrans encistado na pele do pé com ponto preto central

O bicho-do-pé não é verme nem larva, é uma pulga minúscula chamada Tunga penetrans. A fêmea fecundada penetra na pele, principalmente dos pés, e cresce até virar uma bolinha esbranquiçada cheia de ovos.

Apesar do tamanho de 1 mm, ela causa a tungíase, uma parasitose dolorosa e com risco de infecção secundária se espremida em casa. Entender seu ciclo no solo arenoso e seco é a chave para prevenir, e não para tentar extrair com agulha suja.

Este guia explica como reconhecer, onde vive, por que prefere pés descalços e qual o manejo seguro para pessoas e pets.

Também conhecido como: Bicho-de-pé, Bicho-de-porco, Jatecuba, Pulga-da-areia, Tungíase, Chigoe flea, Jigger, Sand flea

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Peçonhentos

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Galeria de fotos de Bicho-do-pé

Bicho-do-pé Tunga penetrans encistado na pele do pé com ponto preto central
Fêmea de bicho-do-pé encistada: bolinha esbranquiçada com ponto preto central.
Close extremo da cabeça do bicho-do-pé Tunga penetrans
Cabeça da pulga Tunga penetrans, com antenas e aparelho bucal perfurador.
Larva e pupa do bicho-do-pé no solo arenoso
Ovos, larvas e pupas se desenvolvem no solo seco e arenoso.
Bicho-do-pé ao lado da ponta do dedo para escala de tamanho
Tamanho real: cerca de 1 mm, quase invisível a olho nu quando livre.
Pata de cachorro com lesões de bicho-do-pé nas almofadas
Cães são reservatórios importantes e também sofrem com a tungíase.
Quintal de terra batida com chiqueiro, habitat do bicho-do-pé
Solo arenoso e seco de quintais e chiqueiros é o foco do bicho-do-pé.

Perfil rápido de Bicho-do-pé

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie não avaliada pela IUCN por ser ectoparasita cosmopolita e abundante.

População
estável
Protegido por
Não

Calendário

Maior atividade e infestaçãoJFMAMJJASOND
Reprodução intensaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsParasita - causa tungíase e infecções secundárias
  • PessoasParasita - causa tungíase, não venenoso

Risco maior de infecção bacteriana e tétano se houver manipulação sem assepsia. Procure serviço de saúde.

Vida útil

Na natureza
2 a 4 semanas como adulto livre; fêmea encistada vive 3 a 5 semanas até morrer e ser eliminada

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Acasalamento
No hospedeiro, após repasto sanguíneo; só fêmea fecundada penetra a pele
Fecundidade
100 a 200 ovos por dia por 2 a 3 semanas
Incubação
Ovos eclodem em 3 a 4 dias; larva 7 a 14 dias; pupa 7 a 14 dias
Sazonalidade
Pico na estação seca, quando o solo arenoso fica favorável

Habitat

Ambientes

  • Solo arenoso e seco com matéria orgânica
  • Chiqueiros, galinheiros e quintais de terra batida
  • Praias de rio, currais e áreas rurais sombreadas

Biomas

  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Amazônia
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sangue de humanos, cães, porcos, gatos e roedores

Outros alimentos

  • Larvas consomem detritos orgânicos e fezes no solo

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • Venezuela
  • Paraguai
  • Angola
  • Quênia
  • Uganda
  • Tanzânia
  • Madagascar

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Siphonaptera
Família
Tungidae
Gênero
Tunga
Espécie
Tunga penetrans

Resumo

  • O bicho-do-pé é a pulga Tunga penetrans, cuja fêmea grávida se encista na pele e pode chegar a 1 cm de diâmetro.
  • Vive em solo arenoso, seco e com matéria orgânica, comum em chiqueiros, quintais e áreas rurais do Brasil e da África.
  • A tungíase causa dor, coceira e risco de infecção bacteriana e tétano se a extração for feita sem assepsia e acompanhamento médico.

Características

Ficha do inseto

OrdemSiphonaptera (pulgas)
FamíliaTungidae
Origem e distribuiçãoAméricas Central e do Sul; introduzida na África subsaariana e Madagascar
TamanhoMacho 1 mm; fêmea livre 1 mm, encistada 6 a 10 mm
Coresmarrom-avermelhadobranco-amarelado quando grávida
Asas e vooSem asas, não voa; salta até 20 cm
AlimentaçãoHematofagia (sangue)
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa, adulto)
Expectativa de vidaAdulto livre 2 a 4 semanas; fêmea encistada 3 a 5 semanas
HabitatSolo arenoso, seco, sombreado com matéria orgânica
Comportamento socialSolitário, não forma colônia
Principais predadoresFormigas, besouros e ácaros predadores de larvas no solo

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
Importância para o ecossistemaMuito baixo
Presença em casasMédio
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar o bicho-do-pé de verdade

O bicho-do-pé é a pulga Tunga penetrans, a menor pulga conhecida. O macho e a fêmea não fecundada são quase invisíveis, com 1 mm, corpo achatado e marrom-avermelhado, e pulam em vez de voar.

O que as pessoas chamam de bicho-do-pé na pele é a fêmea fecundada já encistada. Ela parece uma bolinha branca-amarelada de 4 a 10 mm com um ponto preto central, que é a abertura para respirar e expelir ovos e fezes.

Não confunda com bicho-de-pé de planta ou berne. Berne tem larva de mosca que se mexe sob a pele e deixa orifício maior. Bicho-do-pé não se mexe, cresce no mesmo lugar e dói ao pisar. Outro erro comum é achar que é micose ou verruga: a tungíase tem halo esbranquiçado com ponto escuro bem no centro.

Onde vive e por que ataca tanto os pés

A Tunga penetrans vive no solo arenoso, seco, sombreado e rico em matéria orgânica. Chiqueiros, galinheiros, quintais de terra batida, praias de rio e currais são os focos clássicos.

A distribuição original é das Américas, do México ao sul do Brasil, mas foi levada para a África no século XIX e hoje é problema grave por lá também. No Brasil ocorre em todos os estados, com mais casos no Norte, Nordeste e áreas rurais do Sudeste.

Ela ataca os pés porque a pulga adulta vive no chão e salta baixo, até 20 cm de altura. Pés descalços, chinelos e patas de cachorros e porcos são o acesso mais fácil. Unhas, sola, entre os dedos e calcanhar são os pontos preferidos, mas pode aparecer em mãos, cotovelos e nádegas de quem senta no chão.

Ciclo de vida: de pulga livre a bolinha de ovos

O ciclo é de metamorfose completa e dura 3 a 6 semanas dependendo do calor e da umidade. A fêmea encistada libera 100 a 200 ovos por dia durante 2 a 3 semanas direto no solo.

No chão, os ovos viram larvas vermiformes que se alimentam de detritos orgânicos por 1 a 2 semanas. Depois tecem um casulo e viram pupas, que resistem semanas no ambiente seco.

O adulto que emerge já sai hematófago. Macho e fêmea se alimentam de sangue, acasalam no hospedeiro e só a fêmea fecundada penetra a pele. Em 24 horas ela já está totalmente enterrada, deixando só o orifício posterior para fora. Em 8 a 12 dias ela incha de ovos e morre, sendo eliminada pela pele ou removida.

Por que a seca aumenta os casos

Na estação seca o solo fica mais solto e as larvas sobrevivem melhor. É quando a incidência dispara em comunidades com piso de terra. Na estação chuvosa o solo encharcado afoga ovos e larvas.

O que come e como se alimenta

Fora da pele, larvas comem matéria orgânica do solo, fezes e restos de pele. Adultos livres são hematófagos obrigatórios.

A fêmea encistada se alimenta de sangue e fluidos teciduais através de vasos da derme. Ela não suga e sai; fica plugada, com a boca ancorada nos capilares, enquanto o abdômen cresce 2.000 vezes.

Cachorros, porcos, gatos, ratos e humanos são os hospedeiros principais. Porcos e cães são reservatórios importantes e mantêm o ciclo no quintal mesmo sem gente infectada.

Tungíase: o que acontece na pele

Nos primeiros 1 a 2 dias há coceira leve e um ponto escuro que parece sujeira encravada. Em 3 a 7 dias surge dor à pressão, vermelhidão e a clássica bolinha branca com ponto preto.

A lesão coça e dói ao mesmo tempo, principalmente ao caminhar. Se houver várias lesões, pode haver inchaço, dificuldade para andar e linfonodos inguinais inchados.

O maior perigo não é a pulga em si, mas a infecção bacteriana secundária. Ao coçar ou tentar espremer com agulha não estéril, bactérias como Staphylococcus e Clostridium tetani entram. Em casos negligenciados há relatos de celulite, abscesso, deformidade de unha e, raramente, tétano e gangrena.

Pica ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets

Bicho-do-pé não é venenoso e não injeta veneno. O quadro é parasitose, não envenenamento. A dor vem da distensão da pele e da inflamação.

Em pessoas, o risco é maior para crianças que andam descalças, idosos acamados e pessoas com diabetes ou imunidade baixa, que cicatrizam pior. Reinfestações repetidas deformam unhas e dedos.

Em pets, cães e porcos sofrem mais. Cães com tungíase lambem muito as patas, mancam e podem ter infecção nas almofadas plantares. Gatos são menos afetados, mas também pegam. Nunca use mata-bicheira, creolina ou querosene no animal: são tóxicos e não matam a pulga encistada.

Como prevenir e o que fazer se pegar

Prevenção é manejo do ambiente. Usar calçado fechado, cimentar ou assoalhar pisos de terra e manter chiqueiros longe da casa corta 90% do risco. Varrer e umedecer levemente o solo reduz poeira onde a pulga vive.

Para animais, mantenha camas limpas, vermifugação e controle de pulgas em dia com orientação veterinária. Isolar e tratar cães e porcos parasitados evita que espalhem ovos pelo quintal.

Se já houver lesão, não esprema, não fure com agulha de costura nem aplique remédios caseiros. Procure unidade de saúde. O procedimento correto é feito com material estéril, antissepsia e, se necessário, anestesia local, com retirada completa da cápsula para não deixar restos que inflamam. Vacinação antitetânica deve estar em dia.

  • O que ajuda: lavar os pés diariamente, examinar solas e entre dedos, usar meia e calçado fechado em área de risco.
  • O que não ajuda: passar esmalte, cera ou gordura para sufocar; a pulga respira pelo orifício e a oclusão só aumenta a infecção.
  • Quando ir ao médico rápido: dor forte, pus, febre, vermelhidão que se espalha ou muitas lesões.

Papel no ecossistema e por que não é só praga

Na natureza, larvas de Tunga ajudam a decompor matéria orgânica do solo e servem de alimento para formigas e outros predadores. Adultos são fonte de sangue para poucos, mas não são polinizadores nem controladores de pragas.

Do ponto de vista humano, é considerado ectoparasita sem benefício direto. Não há criação ou manejo conservacionista; o controle é sanitário e de saúde pública.

A espécie tem importância histórica: foi descrita em 1526 por Gonzalo Fernández de Oviedo e causou grandes epidemias em expedições coloniais. Sua dispersão para a África em 1872, via navio de areia lastro do Brasil para Angola, é um dos exemplos clássicos de espécie invasora transportada por humanos.

Curiosidades que pouca gente sabe

A fêmea grávida é o único caso de pulga que se torna séssil e cresce dentro da pele. Todas as outras pulgas picam e saem.

Ela não entra inteira de uma vez por vontade: a penetração é ativa, com a cabeça perfurando a epiderme em cerca de 2 a 3 horas, e depois o corpo vai sendo incorporado pela pele do hospedeiro.

Em áreas hiperendêmicas na África, já foram contadas mais de 100 lesões simultâneas em uma única pessoa, com perda de mobilidade. No Brasil, surtos em escolas rurais ainda afastam crianças das aulas por dor ao calçar.

O nome tunga vem do tupi tunga ou jatecuba, e deu origem ao termo médico tungíase. Em inglês é chamada de chigoe flea, jigger ou sand flea, mas não confunda com a pulga da areia de praia que pica e não se encista.

Perguntas frequentes

Bicho-do-pé é verme ou pulga?

É pulga, a Tunga penetrans. A fêmea fecundada se enterra na pele e incha de ovos, por isso parece um verme ou bolinha.

Como tirar bicho-do-pé com segurança?

Não esprema em casa. Procure posto de saúde para retirada com material estéril e antisséptico. Manter vacina antitetânica em dia é essencial.

Bicho-do-pé sai sozinho?

A fêmea morre em 3 a 5 semanas e pode ser eliminada, mas deixar evoluir aumenta risco de infecção, dor e deformidade da unha.

Posso pegar bicho-do-pé na praia?

É raro em areia de praia batida por maré. O risco maior é em areia seca de quintal, chiqueiro e beira de rio com matéria orgânica.

Cachorro transmite bicho-do-pé para gente?

Não transmite direto, mas cães e porcos infectados espalham ovos no solo e mantêm o ambiente contaminado para todos.

Como evitar bicho-do-pé?

Use calçado fechado, mantenha piso cimentado ou de madeira, afaste chiqueiros da casa e trate animais com tungíase com veterinário.

Bicho-do-pé coça ou dói?

Os dois. No início coça, depois dói ao pisar ou apertar, com sensação de corpo estranho sob a pele.

Você sabia?

1

A única pulga que fica presa

Das mais de 2.500 espécies de pulgas, só as do gênero Tunga têm fêmea que se encista e cresce 2.000 vezes dentro da pele.

2

Viagem que colonizou um continente

Em 1872, ovos e pupas em areia de lastro de um navio que saiu do Brasil levaram a Tunga penetrans para Angola e, de lá, para toda a África subsaariana em poucos anos.

3

Ponto preto é bunda, não cabeça

O ponto escuro que se vê na lesão não é a cabeça da pulga, e sim a extremidade posterior por onde ela respira, defeca e libera ovos.

4

Porcos são o termômetro do quintal

Em estudos de campo no Nordeste, a prevalência em porcos criados soltos chega a 70%, e eles mantêm o solo infectado mesmo quando humanos são tratados.

Fontes

  1. Fiocruz - Tungíase
  2. Embrapa - Parasitoses e manejo ambiental
  3. GBIF - Tunga penetrans

Prós e contras: Bicho-do-pé

Prós

  • Ciclo bem conhecido facilita prevenção com medidas simples como calçado e piso adequado
  • Indicador útil de vulnerabilidade sanitária e de solo contaminado
  • Fácil de diagnosticar pelo aspecto típico de bolinha branca com ponto preto
  • Controle não exige inseticida em larga escala, mas manejo ambiental

Contras

  • Causa dor intensa e dificuldade para andar quando há múltiplas lesões
  • Alto risco de infecção bacteriana secundária e tétano se manipulado sem assepsia
  • Reservatórios animais mantêm reinfestação no quintal
  • Afeta mais crianças, idosos e populações rurais com menos acesso à saúde
  • Extração caseira com agulha suja é prática comum e perigosa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bicho-do-pé é o exemplo mais subestimado de parasitose negligenciada no Brasil: minúsculo, mas com impacto enorme em comunidades com piso de terra. Tratar só a lesão sem manejar solo, calçado e animais reservatórios é enxugar gelo e garante reinfestação.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Revisão especializadaSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.