🐛 Insetos

Bicho-da-seda

Bombyx mori

Atualizado em

Lagarta 6-8 cm; mariposa 4-5 cm de envergaduraTamanho
Folhas de amoreira (Morus)Alimentação
45 a 60 dias, metamorfose completaCiclo de vida
Só em criação; não existe selvagemHabitat
Não pica, não morde, não é venenosoPerigo para humanos
Bicho-da-seda lagarta branca sobre folha de amoreira

O bicho-da-seda não é um verme, e sim a lagarta da mariposa Bombyx mori, um inseto totalmente domesticado pelo ser humano há cerca de 5.000 anos na China. Ele não existe mais na natureza em estado selvagem e depende de criação para sobreviver.

Na fase larval, é uma lagarta esbranquiçada de até 8 cm que se alimenta quase exclusivamente de folhas de amoreira e produz um casulo feito de um único fio de seda contínuo. Na fase adulta, vira uma mariposa branca e peluda que não voa, não se alimenta e vive apenas para se reproduzir.

Também conhecido como: Lagarta-da-seda, Bicho de seda, Minhoca-da-seda, Silkworm (inglês), Ver à soie (francês), Baco da seta (italiano)

Faz parte de: Insetos Benéficos

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Galeria de fotos de Bicho-da-seda

Bicho-da-seda lagarta branca sobre folha de amoreira
Lagarta do bicho-da-seda (Bombyx mori) sobre folha de amoreira.
Close da cabeça do bicho-da-seda mostrando mandíbulas
Detalhe da cabeça e mandíbulas adaptadas para mastigar amoreira.
Casulos ovais de seda do bicho-da-seda
Casulos ovais tecidos com um único fio contínuo de seda.
Mariposa adulta do bicho-da-seda de asas abertas
Mariposa adulta, peluda e branca, que não voa e não se alimenta.
Ovos minúsculos do bicho-da-seda agrupados
Ovos de 1 mm postos pela fêmea, que escurecem antes da eclosão.
Bicho-da-seda comparado ao tamanho de folha de amoreira
Tamanho da lagarta de último instar comparado à folha de amoreira.
Ideal para

Ideal para famílias com crianças, professores e curiosos que buscam uma criação educativa, silenciosa e de baixo custo. O ciclo curto e visível permite acompanhar a metamorfose completa em poucas semanas, sem exigir muito espaço. Também funciona bem para pequenos produtores rurais que têm amoreiras disponíveis e querem uma atividade complementar. A sericicultura exige dedicação diária, mas tem manejo simples e não precisa de estrutura cara no início.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem não tem acesso diário a folhas frescas de amoreira, pois não há substituto viável. Sem alimento adequado, as lagartas morrem em poucos dias. Também não é indicado para quem busca um inseto de vida longa ou interativo. A fase adulta dura poucos dias, não voa e não interage, e o ciclo exige limpeza constante para evitar doenças e mau cheiro.

Perfil rápido de Bicho-da-seda

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie domesticada, não ocorre em estado selvagem e não possui avaliação na natureza.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Fase larval e casulosJFMAMJJASOND
Reprodução dos adultosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica nem tem veneno. Pelos e escamas podem causar irritação leve ou alergia respiratória em pessoas sensíveis.

Vida útil

Ciclo total (ovo a adulto)
45 a 60 dias
Fase adulta
5 a 10 dias, sem alimentação

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada, ovípara
Acasalamento
Poucas horas após emergir; dura 2 a 4 horas
Postura
300 a 500 ovos por fêmea, em 1 a 2 dias
Metamorfose
Completa, com 5 instares larvais
Voltinismo
Bivoltina ou polivoltina conforme linhagem (1 a 3 gerações por ano)

Habitat

Ambientes

  • criação doméstica em bandejas
  • galpões de sericicultura
  • escolas e laboratórios

Biomas

  • Não ocorre livre na natureza; criado em cativeiro em todos os biomas brasileiros onde há amoreira

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • folhas de amoreira-branca (Morus alba)

Outros alimentos

  • folhas de amoreira-preta (Morus nigra)
  • folhas de amoreira-vermelha (Morus rubra)

Encontrado em 8 países

  • China
  • Índia
  • Japão
  • Brasil
  • Coreia do Sul
  • Itália
  • França
  • Tailândia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Bombycidae
Gênero
Bombyx
Espécie
Bombyx mori

Resumo

  • O bicho-da-seda é a lagarta da mariposa Bombyx mori, inseto domesticado que não existe livre na natureza e é criado para produzir seda.
  • Alimenta-se quase exclusivamente de folhas de amoreira e passa por metamorfose completa em 45 a 60 dias, do ovo ao casulo e à mariposa adulta.
  • A mariposa adulta não voa e não pica, e cada casulo rende de 900 a 1.200 metros de fio de seda contínuo.

Características

Ficha do inseto

OrdemLepidoptera
FamíliaBombycidae
Origem e distribuiçãoChina, domesticado há ~5.000 anos; hoje criado na Ásia, Brasil, Europa e Oriente Médio
TamanhoLagarta 6 a 8 cm; adulto 4 a 5 cm de envergadura e 2 a 3 cm de corpo
Coresbrancocremecinza-claromarrom-claro
Asas e vooAsas presentes, voo ausente ou muito curto e desajeitado
AlimentaçãoFolhas de amoreira (Morus alba, Morus nigra)
MetamorfoseCompleta (ovo > lagarta > pupa em casulo > mariposa)
Expectativa de vida45 a 60 dias no ciclo total; adulto vive 5 a 10 dias
HabitatExclusivamente doméstico, em sericicultura, escolas e laboratórios
Comportamento socialGregário na fase larval, solitário na fase adulta
Principais predadoresEm criação não há; ao ar livre: pássaros, formigas, vespas e lagartixas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito alto
Dano às plantasBaixo
Vida em grupoAlto

Como identificar o bicho-da-seda em cada fase

O bicho-da-seda muda completamente de aparência ao longo da vida, e cada fase tem marcas bem distintas. Confundir com outras lagartas é comum, mas há detalhes que entregam a espécie.

Ovo: minúsculo, de 1 a 1,3 mm, amarelado quando posto e depois acinzentado ou arroxeado. A fêmea coloca de 300 a 500 ovos agrupados.

Lagarta: é a fase mais conhecida. Corpo cilíndrico, liso e levemente brilhante, de cor branco-acinzentada ou creme, com cabeça menor e um pequeno chifre na parte traseira. Chega a 6 a 8 cm e 3 a 5 g no 5º instar, quando parece gorda e enrugada.

Casulo e pupa: casulo oval de 3 a 4 cm, branco, amarelo ou esverdeado conforme a linhagem. Dentro dele está a pupa marrom.

Adulto: mariposa robusta e peluda, branca com faixas finas marrons nas asas. Tem antenas pectinadas (em forma de pente), mais largas no macho, e corpo rechonchudo. Não confunda com mariposas selvagens: o bicho-da-seda não voa.

Onde vive hoje: um inseto 100% domesticado

O Bombyx mori é considerado o único inseto totalmente domesticado. Seu ancestral selvagem é o Bombyx mandarina, ainda encontrado no norte da China e Japão, mas o bicho-da-seda atual não sobrevive sozinho na natureza.

Seleção artificial ao longo de milênios eliminou o voo, o medo de predadores e a capacidade de encontrar alimento sozinho. Solto no quintal, ele morre em poucos dias.

No Brasil, a criação se concentra no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, maiores polos de sericicultura do país. O Brasil é um dos poucos produtores de seda do Ocidente. Fora da produção comercial, ele aparece em escolas, universidades e criações caseiras para fins educativos.

O que o bicho-da-seda come de verdade

A alimentação é extremamente específica. A lagarta é monófaga: aceita quase só folhas de amoreira, sobretudo Morus alba (amoreira-branca).

Nos primeiros instares, precisa de folhas novas e picadas finamente. Nos últimos instares, consome folhas inteiras e em grande quantidade. Uma única lagarta come cerca de 20 a 30 g de folhas ao longo de toda a vida larval, sendo 80% disso nos últimos 4 dias.

  • Amoreira-branca e amoreira-preta: alimento ideal e completo.
  • Alface, dente-de-leão ou outras folhas: às vezes citadas na internet, mas não sustentam o desenvolvimento e causam alta mortalidade. Não use.
  • Ração artificial: existe para laboratório, à base de pó de amoreira, mas não é acessível para criação doméstica.

Folhas murchas, molhadas ou com agrotóxico matam a lagarta rapidamente. O manejo correto é oferecer folhas frescas, secas e trocadas duas a três vezes ao dia, removendo fezes e restos.

Ciclo de vida completo e metamorfose

O ciclo é de metamorfose completa e dura de 45 a 60 dias em temperatura de 24 a 27 °C. Em locais frios ou sem controle, pode demorar mais.

As 4 etapas

1. Ovo (10 a 14 dias): após a postura, entra em diapausa se for linhagem bivoltina. Linhagens comerciais brasileiras eclodem sem frio.

2. Lagarta (20 a 28 dias): passa por 5 instares separados por 4 trocas de pele. No 1º instar tem 3 mm e pelos escuros; no 5º instar fica grande, lisa e clara. É a única fase que se alimenta.

3. Pupa e casulo (10 a 14 dias): ao final do 5º instar, para de comer, esvazia o intestino e começa a tecer o casulo. Fia o casulo em 2 a 3 dias, fazendo movimentos em forma de 8 com a cabeça.

4. Adulto (5 a 10 dias): a mariposa rompe o casulo liberando enzima que amolece a seda. Não se alimenta, pois tem aparelho bucal atrofiado. Acasala no mesmo dia e morre logo após a postura.

Como acontece a produção do fio de seda

A seda é produzida por duas glândulas sericígenas enormes que ocupam quase todo o corpo da lagarta. Elas secretam fibroína (o fio) envolta em sericina (goma que cola o fio).

Cada casulo é feito de um único fio contínuo de 900 a 1.200 metros, com apenas 0,02 mm de espessura. Para produzir 1 kg de seda crua são necessários cerca de 2.800 a 3.000 casulos e aproximadamente 200 kg de folhas de amoreira.

A lagarta tece de fora para dentro. Se o casulo não for colhido antes da saída da mariposa, o fio é cortado e perde valor comercial. Por isso, na sericicultura, a pupa é sacrificada com ar quente antes da emergência. Em criações educativas, deixa-se a mariposa nascer.

Característica Macho Fêmea
Tamanho Menor e mais leve Maior, abdômen volumoso
Antenas Mais plumosas e largas Mais finas
Comportamento Bate asas e procura fêmea Quase imóvel, libera feromônio
Casulo Menor e mais alongado Maior e mais arredondado

Comportamento: voo, vida em grupo e defesa

O bicho-da-seda é dócil e gregário na fase larval. Lagartas criadas juntas se alimentam lado a lado sem canibalismo ou disputa, o que facilita a criação em bandejas.

O adulto perdeu a capacidade de voar. As asas existem, mas a musculatura é fraca e o corpo pesado. O macho até tenta bater as asas para encontrar a fêmea, mas só consegue planar por centímetros.

A defesa é passiva. A lagarta não morde, não pica e não tem cerdas urticantes como a taturana. Quando perturbada, pode regurgitar líquido esverdeado ou ficar imóvel. O adulto também não tem ferrão nem veneno.

A comunicação sexual é química. A fêmea virgem libera bombicol, um dos primeiros feromônios identificados pela ciência, em 1959. O macho detecta poucas moléculas a metros de distância.

Pica, morde ou causa alergia? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não morde e não é venenoso. É um dos insetos mais seguros para manusear, por isso é amplamente usado em escolas.

O único risco é alergia leve em pessoas sensíveis. Os pelos finos da lagarta, a poeira do casulo e as escamas da mariposa podem causar coceira, espirros ou irritação nos olhos se inalados em grande quantidade. Lavar as mãos após o manuseio e manter o local ventilado resolve.

Para cães, gatos e pássaros, a ingestão acidental de uma lagarta não é tóxica, mas pode causar desconforto gastrointestinal se for em grande número. O casulo também não é tóxico, mas não deve ser oferecido como alimento.

Diferente de lagartas como a Lonomia, o bicho-da-seda nunca causa queimadura. Se houver dor intensa após contato com lagarta peluda, não é bicho-da-seda.

Como criar bicho-da-seda em casa sem erros comuns

Criar é simples, mas exige constância. O erro mais frequente é falta de amoreira fresca diária.

  • Onde conseguir: ovos são doados por criadores, escolas ou comprados de sericicultores. Não colete na natureza, pois não existe selvagem.
  • Recipiente: caixa de papelão ou plástico com furos, forrada com papel toalha. Mantenha em local seco, sem sol direto, a 24-27 °C.
  • Higiene: retire fezes e folhas velhas todos os dias. Umidade e fezes acumuladas causam muscardine e flacherie, doenças fúngicas e bacterianas que dizimam a criação.
  • Encasulamento: quando a lagarta fica amarelada e translúcida, ofereça galhos secos ou divisórias de papelão para ela tecer o casulo.

Não use folhas molhadas, não mude de tipo de amoreira no meio da criação e não superlote a caixa. Cada lagarta precisa de espaço para tecer. Se quiser que a mariposa nasça, não colha o casulo; deixe-o intacto por 12 dias.

Papel econômico e curiosidades que poucos sabem

A sericicultura movimenta bilhões no mundo, com China e Índia respondendo por mais de 90% da seda. O fio de Bombyx mori é diferente de seda selvagem: mais fino, branco e uniforme.

No Brasil, a produção é considerada sustentável quando bem manejada, pois a amoreira é perene e o bicho-da-seda não exige agrotóxicos. É uma das poucas atividades agrícolas que permite renda em pequenas áreas.

Fora da economia, o inseto é modelo científico. Foi um dos primeiros animais a ter o genoma sequenciado entre os lepidópteros e é usado em estudos de genética e produção de biofármacos.

Perguntas frequentes

Bicho-da-seda pica ou queima?

Não. Ele não tem ferrão, cerdas urticantes ou veneno. É seguro manusear, diferente de taturanas como Lonomia.

O que o bicho-da-seda come?

Quase exclusivamente folhas frescas de amoreira (Morus alba ou Morus nigra). Outras folhas não sustentam a lagarta.

Quanto tempo vive o bicho-da-seda?

O ciclo completo dura 45 a 60 dias. A lagarta vive 20 a 28 dias e a mariposa adulta apenas 5 a 10 dias sem se alimentar.

A mariposa do bicho-da-seda voa?

Não. Ela tem asas, mas perdeu a capacidade de voo após milênios de domesticação e apenas se arrasta ou plana por centímetros.

Posso criar bicho-da-seda em apartamento?

Sim, desde que tenha acesso diário a folhas frescas de amoreira e mantenha a caixa limpa e seca. Sem amoreira, a criação não prospera.

Quanto de seda um casulo produz?

Um único casulo rende de 900 a 1.200 metros de fio contínuo. São necessários cerca de 3.000 casulos para 1 kg de seda crua.

Bicho-da-seda existe na natureza?

Não. O Bombyx mori é totalmente domesticado e não sobrevive livre. Seu ancestral selvagem é o Bombyx mandarina, da Ásia.

Você sabia?

1

Um fio único de mais de 1 km

Cada casulo é feito de um único fio contínuo de 900 a 1.200 metros. Se esticado, um só casulo daria para atravessar 10 quarteirões.

2

Adulto que não come

A mariposa do bicho-da-seda nasce sem aparelho bucal funcional. Ela não se alimenta e vive apenas de 5 a 10 dias com a energia acumulada na fase de lagarta.

3

5.000 anos de domesticação

Criado na China desde o Neolítico, o Bombyx mori é tão domesticado que não existe mais na natureza. A lenda atribui sua descoberta à imperatriz Leizu, em 2700 a.C.

4

O primeiro feromônio descoberto

O bombicol, liberado pela fêmea, foi o primeiro feromônio sexual isolado pela ciência, em 1959. O macho detecta poucas moléculas no ar e encontra a fêmea sem precisar voar.

Fontes

  1. Embrapa - Sericicultura
  2. GBIF - Bombyx mori
  3. Universidade de São Paulo - ESALQ / Sericicultura

Prós e contras: Bicho-da-seda

Prós

  • Totalmente inofensivo, não pica e não é venenoso
  • Ciclo curto e didático, ideal para educação
  • Produz seda natural de alto valor
  • Criação barata e silenciosa, sem cheiro forte se bem manejada
  • Gregário e fácil de manejar em grupo

Contras

  • Depende exclusivamente de folhas frescas de amoreira todos os dias
  • Muito sensível a umidade, fungos e agrotóxicos
  • Fase adulta vive poucos dias e não interage
  • Exige limpeza diária para evitar doenças
  • Não sobrevive se solto na natureza
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bicho-da-seda é o melhor inseto para quem quer observar metamorfose completa de perto sem riscos. Ele não serve como pet interativo, mas como ferramenta educativa e produtiva é imbatível: poucos animais mostram de forma tão clara a relação entre biologia e cultura humana.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Revisão especializadaSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.