🦜 Aves e Pássaros

Beija-flor

Família Trochilidae

Atualizado em

6 a 12 cmTamanho
2 a 8 gPeso
5 a 8 anosExpectativa de vida
Agudo e chiadoCanto
Jardins e matasHabitat
Beija-flor-tesoura empoleirado em galho fino mostrando cauda longa bifurcada

O beija-flor é a única ave capaz de voar para trás e ficar literalmente parada no ar, batendo as asas até 80 vezes por segundo. Com bico fino e língua extensível, ele vive em simbiose com flores e é um dos principais polinizadores das Américas.

No Brasil ocorrem mais de 80 espécies, do minúsculo besourinho-de-bico-vermelho ao imponente beija-flor-gigante. Apesar do tamanho, são extremamente territoriais, vivem soltos na natureza e sua captura ou criação sem autorização é crime ambiental.

Também conhecido como: Colibri, Cuitelo, Chupa-flor, Pica-flor, Hummingbird (inglês), Colibrí (espanhol)

Faz parte de: Aves da Amazônia, Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Beija-flor

Beija-flor-tesoura empoleirado em galho fino mostrando cauda longa bifurcada
Beija-flor-tesoura, uma das espécies mais comuns em áreas urbanas do Brasil.
Close do rosto e bico fino de beija-flor com garganta iridescente
Detalhe do bico fino e da gargantilha brilhante do macho.
Beija-flor em voo pairado com asas em movimento diante de flor vermelha
Voo pairado característico que permite se alimentar sem pousar.
Beija-flor em habitat natural de Mata Atlântica com bromélias
Habitat natural com flores nativas essenciais para sua alimentação.
Beija-flor inserindo língua bifurcada em flor tubular
Alimentação com língua especializada que bombeia néctar.
Ninho em forma de xícara de beija-flor com dois ovos brancos minúsculos
Ninho de fibras e teia de aranha com dois ovos do tamanho de ervilhas.
Detalhe da plumagem iridescente verde e azul de beija-flor
Plumagem iridescente que muda de cor conforme a luz.

Perfil rápido de Beija-flor

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Maioria das espécies com população estável, mas algumas endêmicas em declínio por desmatamento.

População
estável
Protegido por
Sim, protegido por lei federal; comércio e captura proibidos

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade em jardinsJFMAMJJASOND
Migração altitudinal (Sudeste/Sul)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 8 anos, com registros de até 12 anos para espécies maiores
Maturidade sexual
1 ano

Reprodução

Acasalamento
Poligâmico; macho corteja com voos em U e não participa dos cuidados
Estrutura social
Solitária; fêmea cuida sozinha do ninho
Padrão sazonal
Principalmente primavera e verão, de agosto a fevereiro no Sudeste
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
2 ovos brancos; 1 a 3 posturas por temporada
Incubação
14 a 19 dias
Saída do ninho
20 a 26 dias após eclosão

Habitat

Ambientes

  • Matas úmidas
  • Matas secas
  • Cerrados e campos
  • Jardins urbanos e pomares
  • Áreas de altitude e beira de rios

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Néctar de flores

Outros alimentos

  • Pequenos insetos
  • Aranhas
  • Pólen

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Equador
  • Peru
  • Venezuela
  • Costa Rica
  • Estados Unidos
  • México

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não adequado; ave silvestre de voo livre
Legalidade no Brasil
Proibido criar, capturar ou vender sem autorização; crime ambiental (Lei 9.605/98)
Nível de cuidado
Extremamente alto e incompatível com cativeiro doméstico
Alternativa legal
Atrair com jardim de flores nativas e bebedouros higienizados diariamente

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Apodiformes
Família
Trochilidae
Gênero
Diversos (ex: Eupetomena, Chlorostilbon, Topaza)
Espécie
Mais de 340 espécies; exemplo: Eupetomena macroura (beija-flor-tesoura)

Resumo

  • O beija-flor é exclusivo das Américas e a única ave que sustenta voo pairado e para trás, com coração que chega a 1.200 batimentos por minuto.
  • No Brasil são mais de 80 espécies que habitam de jardins urbanos à Amazônia, alimentando-se de néctar e pequenos insetos.
  • Não pode ser criado como pet: é silvestre, protegido por lei e depende de voo livre e flores para sobreviver.

Características

Ficha da espécie

FamíliaTrochilidae
Origem e distribuiçãoExclusivo das Américas, do Alasca à Terra do Fogo; maior diversidade nos trópicos
HabitatMatas, cerrados, caatinga, campos, jardins urbanos e áreas de altitude
Tamanho (comprimento)6 a 22 cm (maioria entre 7 e 12 cm)
Envergadura8 a 13 cm
Peso2 a 20 g (a maioria pesa 3 a 6 g)
Coresverdeazulvermelhoroxocobrebrancopretocom brilho iridescente
Expectativa de vida5 a 8 anos na natureza; até 12 anos em registros raros
AlimentaçãoNéctar de flores e pequenos artrópodes
CantoChips, zumbidos e trinados agudos, pouco melódico
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em forma de xícara com fibras e teia; 2 ovos brancos de 1 cm
Comportamento socialSolitário e altamente territorial
Variedades ou subespéciesMais de 340 espécies no mundo; 84 registradas no Brasil

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito baixo
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

O que torna o beija-flor diferente de qualquer outro pássaro

O beija-flor não é um pássaro qualquer. Ele pertence à família Trochilidae, exclusiva das Américas, e é a única ave capaz de voar para trás e de se manter totalmente parada no ar.

Isso acontece porque sua articulação do ombro gira quase 180 graus, permitindo que a asa gere sustentação tanto na ida quanto na volta. Enquanto um pardal bate as asas 15 vezes por segundo, um beija-flor pequeno chega a 80 batidas por segundo.

Essa performance tem um custo metabólico extremo. O coração pode atingir 1.200 batimentos por minuto em voo e consome tanta energia que, se não se alimentar a cada 10 a 15 minutos durante o dia, pode morrer. À noite, entra em torpor, um estado de hibernação diária em que reduz temperatura e batimentos para economizar energia.

Tamanho, cores e como identificar um beija-flor de verdade

A maioria dos beija-flores brasileiros mede 7 a 12 cm e pesa 3 a 6 g, menos que uma moeda de um real. O menor do país é o besourinho-de-bico-vermelho com 6,5 cm, e o maior do mundo é o beija-flor-gigante da Cordilheira dos Andes, com até 22 cm.

O brilho não vem de pigmento. As penas contêm microplaquetas que refratam a luz, criando o efeito iridescente que muda de verde para azul ou roxo conforme o ângulo. Machos costumam ser mais coloridos, com gargantilhas brilhantes chamadas gorgulho.

Para identificar, observe três pontos: bico longo e fino adaptado à flor que visita, asas estreitas e pontiagudas e cauda com formatos variados que ajudam na manobra. Pés minúsculos quase não servem para andar, apenas para pousar.

Onde vive o beija-flor no Brasil e no mundo

Beija-flores só existem nas Américas, do sul do Alasca ao extremo sul do Chile. O Brasil, com 84 espécies registradas pelo CBRO, é um dos países mais ricos, atrás apenas de Colômbia e Equador.

Eles ocupam praticamente todos os biomas: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Algumas espécies, como o beija-flor-tesoura, vivem bem em centros urbanos se houver flores e água.

Espécies de altitude, como o beija-flor-de-orelha-violeta, ocorrem acima de 2.000 metros nos Andes. Já o beija-flor-de-banda-branca prefere sub-bosque sombreado de matas úmidas. Essa versatilidade explica por que é tão comum vê-los em varandas e jardins.

O que o beija-flor come e como se alimenta pairando

A base é o néctar, que fornece açúcar de absorção rápida. Um beija-flor visita 1.000 a 2.000 flores por dia e precisa consumir o equivalente a seu peso em néctar diariamente.

A língua é o segredo pouco conhecido. Ela é bifurcada e funciona como uma microbomba elástica, não como canudo. Ao tocar o néctar, as duas canaletas se abrem e se fecham em frações de segundo, puxando o líquido por capilaridade e elasticidade.

Néctar sozinho não basta. Cerca de 10 a 15% da dieta são pequenos insetos e aranhas, fonte de proteína, principalmente para fêmeas em reprodução e filhotes. Eles capturam mosquitos em voo ou roubam aranhas de teias.

  • Flores preferidas: helicônias, ipês, hibiscos, lantanas, bromélias e manjericão.
  • Garrafinhas com água e açúcar: só use em último caso, com proporção 4 partes de água para 1 de açúcar, sem corante ou mel, e higienize diariamente para evitar fungos.

Comportamento territorial e canto: pequeno, mas nada discreto

Apesar do tamanho, o beija-flor é extremamente agressivo e territorial. Machos defendem touceiras floridas e atacam aves muito maiores, como bem-te-vis e até gaviões, com voos rasantes e bicos como lanças.

São solitários. Não formam casais duradouros nem bandos. Machos e fêmeas só se encontram para acasalar. Fora isso, cada um defende seu território alimentar.

O canto é agudo, repetitivo e pouco melódico, composto de chips, zumbidos e trinados metálicos. Serve mais para demarcar território do que para encantar. Algumas espécies, como o beija-flor-preto, cantam empoleirados por longos períodos ao amanhecer.

Reprodução, ninho e filhotes: engenharia em miniatura

A fêmea faz tudo sozinha. O macho acasala e vai embora. Ela constrói um ninho em forma de xícara de 3 a 5 cm com fibras vegetais, musgo e líquen, amarrado com teia de aranha que permite que o ninho estique conforme os filhotes crescem.

A postura é quase sempre de 2 ovos brancos do tamanho de uma ervilha, cerca de 1 cm. A incubação dura 14 a 19 dias e os filhotes nascem pelados e cegos.

Ela alimenta os filhotes com néctar regurgitado misturado com insetos, visitando o ninho a cada 20 minutos. Em cerca de 20 a 26 dias eles já saem voando, mas continuam sendo alimentados por mais alguns dias até aprenderem a defender flores.

Erros comuns ao encontrar um ninho

Nunca toque ou mova o ninho. A fêmea pode abandonar. Observe de longe, com binóculo, e mantenha gatos e curiosos afastados. Ninhos em varandas são comuns entre agosto e fevereiro.

Migração e ciclo anual

No Brasil, a maioria das espécies é residente, mas faz deslocamentos altitudinais ou regionais seguindo a floração. Já espécies da América do Norte, como o beija-flor-rubi, migram até 3.000 km entre Canadá e América Central, cruzando o Golfo do México sem escalas.

O ciclo anual é guiado por flores. Na estação seca do Cerrado, muitos se concentram em matas de galeria e jardins urbanos. Na primavera e verão, com explosão de flores, ocorre o pico reprodutivo.

Durante o torpor noturno, o beija-flor pode perder até 10% do peso e levar 30 minutos para se reaquecer ao amanhecer. É por isso que às vezes são encontrados imóveis e aparentemente mortos de manhã.

Principais espécies de beija-flor no Brasil

Não existe um único beija-flor. Cada bico revela uma coevolução com uma flor. Veja as mais vistas:

Espécie Tamanho Onde ocorre Traço distintivo
Beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura) 16 a 18 cm Todo o Brasil, áreas urbanas Cauda longa bifurcada como tesoura, muito agressivo
Beija-flor-de-peito-azul (Chionomesa lactea) 8 a 9 cm Mata Atlântica e cidades do Sudeste Peito pontilhado de azul, comum em bebedouros
Bico-reto-de-banda-branca (Heliomaster squamosus) 11 cm Caatinga e Cerrado Faixa branca na lateral do pescoço
Topetinho-vermelho (Lophornis magnificus) 7 cm Mata Atlântica do Sudeste Topete vermelho em leque no macho
Beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza pella) 13 cm Amazônia Vermelho fogo com garganta verde iridescente
Besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) 6,5 a 8 cm Sul e Sudeste Bico vermelho com ponta preta, menor e dócil

Para diferenciar, repare no formato do bico: curvo nos ermitões que visitam helicônias, reto nos que visitam flores abertas, e extremamente longo no beija-flor-espada andino, cujo bico de 10 cm é maior que o próprio corpo.

Posso criar beija-flor em casa? Legalidade e conservação

Não. Criar beija-flor em gaiola é ilegal e inviável. Todas as espécies são silvestres e protegidas pela Lei de Crimes Ambientais 9.605/98. Capturar, manter ou vender sem autorização do IBAMA gera multa e detenção.

Além da lei, há a biologia: eles precisam voar quilômetros por dia, visitar centenas de flores e entrar em torpor. Em cativeiro, desenvolvem estresse, desnutrição e morrem em poucos dias, mesmo com bebedouro.

A melhor forma de ter beija-flores por perto é atrair livres: plante flores nativas com floração escalonada, ofereça água limpa e evite pesticidas. Se encontrar um ferido, acione o órgão ambiental estadual ou CETAS, não tente cuidar em casa.

Globalmente, a maioria está como Pouco Preocupante na IUCN, mas espécies de distribuição restrita, como o beija-flor-de-gravata-vermelha da Mata Atlântica, sofrem com desmatamento e mudanças climáticas que dessincronizam floração e reprodução.

Perguntas frequentes

Beija-flor pode ser criado em gaiola?

Não. É ave silvestre protegida por lei e morre rapidamente em cativeiro por precisar de voo constante e dieta específica. Atraia com flores em vez de prender.

O que beija-flor come além de néctar?

Pequenos insetos e aranhas, que fornecem proteína essencial para reprodução e crescimento dos filhotes.

Como atrair beija-flor para o jardim?

Plante flores tubulares nativas como helicônia, ipê, hibisco e bromélia, com florações em épocas diferentes, e mantenha água limpa sem pesticidas.

Água com açúcar faz mal?

Pode fazer se mal preparada. Use 4 partes de água filtrada para 1 de açúcar cristal, sem corante ou mel, e troque e lave o bebedouro todo dia para evitar fungos.

Quanto tempo vive um beija-flor?

Em média 5 a 8 anos na natureza. Em casos raros, espécies maiores chegam a 12 anos.

Beija-flor dorme pendurado?

Não. Ele dorme empoleirado e entra em torpor, reduzindo drasticamente batimentos e temperatura para economizar energia durante a noite.

Qual a diferença entre beija-flor e colibri?

Nenhuma. São nomes populares diferentes para o mesmo grupo de aves da família Trochilidae.

Fatos surpreendentes

1

Língua que bombeia

A língua do beija-flor não suga como canudo. Ela tem duas calhas que se abrem e fecham por elasticidade, puxando néctar 15 vezes por segundo.

2

Memória de agenda

Ele lembra exatamente onde e quando cada flor recarrega néctar, voltando no intervalo certo e evitando flores ainda vazias.

3

Ovo minúsculo

O ovo pesa cerca de 0,5 g e mede 1 cm, um dos menores entre as aves. Mesmo assim, a fêmea põe o equivalente a 15% do seu peso.

4

Bico maior que o corpo

O beija-flor-espada dos Andes tem bico de até 11 cm, mais longo que seu corpo, e precisa se coçar com os pés porque não alcança as penas com o bico.

Fontes

  1. IUCN Red List - Trochilidae
  2. WikiAves - Família Trochilidae
  3. CBRO - Lista de Aves do Brasil
  4. Cornell Lab - All About Birds

Prós e contras: Beija-flor

Prós

  • Polinizador essencial para flores nativas
  • Fácil de observar livre em jardins bem plantados
  • Controle natural de pequenos mosquitos
  • Indicador de ambiente saudável e sem agrotóxicos
  • Voo único e comportamento fascinante para fotografia

Contras

  • Não pode ser domesticado ou criado em gaiola
  • Extremamente territorial e briga com outras aves
  • Bebedouros exigem higienização diária rigorosa
  • Sensível a pesticidas e desmatamento
  • Pode abandonar ninho se houver perturbação humana
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o beija-flor é a ave mais fascinante para observar livre, não para prender. Seu valor está justamente no voo impossível e na relação íntima com as flores, que desaparece em gaiola. Jardins bem planejados valem mais que qualquer bebedouro mal cuidado.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 15.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.